
O turismo rural e o turismo gastronômico estão reunidos num belo projeto desenvolvido pelo Sebrae-RS e pela Prefeitura de Garibaldi, a Estrada do Sabor, com a participação de sete famílias, em seis comunidades rurais do município: São Luis e Santo Antônio do Araripe, Linha Araújo e Sousa, São Jorge, Santo Alexandre e Marcílio Dias. Ali nos encontramos no campo, estrada de terra, em meio a vales, fazendas, sítios e vinhedos, paisagem rural. Sinta-se livre para percorrer essas trilhas, ouvir histórias e saborear produtos coloniais, sem esquecer os bons vinhos da terra. Pode-se fazer o roteiro da Estrada do Sabor a partir do centro de Garibaldi ou do Vale dos Vinhedos.

Não seria exagero considerar a cozinha colonial italiana do sul do país como cozinha regional brasileira. A raiz, a herança é italiana, mas depois de tantos anos os pratos têm um quê de brasilidade, considerando as transformações, fusões e adaptações feitas. Hoje, essa culinária, está nas mãos de brasileiros; muitos com sotaque italiano, mas brasileiros. Hoje, quem cozinha são os netos, bisnetos dos colonos que foram chegando no final do século XIX e início do século XX. Um belo exemplo é dona Odete Bettu Lazzari, neta de italianos, que recebe os visitantes na parte de baixo da casa do seu sítio, transformada em uma verdadeira cantina italiana de séculos passados e que ela deu o nome de Osteria della Colombina, uma espécie de pão que é sua especialidade. O ambiente é simples, familiar, chão de terra batida. A decoração é bem cuidada, o atendimento, especial, e a comida, simplesmente deliciosa. “É uma cantina da colônia”, define d. Odete.

Bem, vamos à refeição. Como aperitivo, experimente a grapa. Tem a pura, de uva, e a de murta, uma frutinha da região, parente da pitanga. Ou um dos licores produzidos no sítio. Para acompanhar a refeição, vinho tinto da Reliquiae, produzido com as uvas do vinhedo de d. Odete, ou suco de uva integral natural. Ou água. Cerveja, nem pensar. Como entrada, polenta frita, salame e queijo. Segue-se uma sopa de capelete (a massa é feita em casa) e salada com radichio, radicce (almeirão), tomate e repolho, tudo da horta própria. Os pratos principais são nhoque com salame, frango caipira ensopado e moranga recheada com carne bovina, de frango, temperos e especiarias, o mesmo recheio do capelete. De sobremesa, pudim de leite e sagu com vinho e canela, típico da região e muito bom. D. Odete produz, ainda, geléias, conservas e doces, sendo um especial, de marmelo, fruta da qual ela tem 100 pés.

Na Família Debiasi, Tranqüilo e Lúcia, se esmeram em explicar como produzem o seu suco de uva integral, as geléias, o néctar de pêssego, as compostas, o pepino em conserva e o molho de tomate. O casal faz parte da Cooperativa dos Produtores Ecológicos de Garibaldi.
Na Família Jorge Mariani o transporte até o belvedere de onde se avistam as cidades próximas é feito de trator. Na residência, conhece-se, através de fotos, a história da família. Depois da visita é servido um lanche com pães, queijos, embutidos, frutas, além de degustação de vinhos, licores e sucos naturais.
O sabor e o tempero da culinária colonial italiana também podem ser sentidos no sítio da Família Vaccaro, que tem uma vinícola. Ali pode-se saborear a uva tirada do pé, comprar produtos coloniais e almoçar em um ambiente acolhedor. E quem quiser fazer um curso de degustação de vinhos é só entrar em contato com a Reliquiae Vini, que produz os vinhos Dal Castel.