Brasil, 29 de Dezembro de 2008

Piraí

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Em Piraí, viramos a página da história cafeeira e vamos saborear pratos feitos com tilápia e macadâmia, os principais produtos da região, tão importantes que, todo ano, em outubro, a cidade realiza o Festival de Gastronomia e Cultura, com um concurso gastronômico em que os pratos com esses produtos são as atrações.

A festa gastronômica reúne importantes chefs do estado e do Brasil, e movimenta os restaurantes da cidade em torno da boa comida. Nos estandes espalhados pela praça principal da cidade, o visitante, além de poder assistir gratuitamente a aulas de culinária, pode comprar filés congelados de tilápia da cooperativa do Centro de Piscicultura, a noz-macadâmia produzida pela Tribeca e também a cachaça local, a Pirahy.

imagem noz-macadâmia
A noz-macadâmia é uma das principais atrações no festival de gastronomia e cultura.

Falar em boa comida, um dos destaques é o charmoso hotel Casa do Manequinho, das irmãs Letícia e Ana Paula, instalado em um casarão do final do século XIX, reformado, na praça principal da cidade, que tem um restaurante em que o forte são os pratos à base de tilápia. São oito variações, como a tilápia ao sabor da terra, feito com filé de tilápia defumada, azeite de ervas e macadâmia picada, acompanhada de purê de banana-da-terra e couve. Dentre as várias opções, há duas especialmente interessantes: filé de tilápia recheado com queijo brie e macadâmia ao molho de maracujá e o mexidão de tilápia (lascas de filé de tilápia ao azeite de ervas, cebola, tomate e batata palha). Ana Paula, que comanda a cozinha da Casa do Manequinho, já venceu várias vezes o concurso gastronômico.


Ana Paula, da Casa do Manequinho.

Bar do Peixe

Ir ao Bar do Peixe, atração da cidade desde 1986, significa saborear uma tilápia recheada ou uma traíra sem espinha, truta, filé de pintado, acará ou a famosa moqueca de cascudo. Isso sem falar na tilápia grelhada com molho de macadâmia e Catupiry. A primeira impressão pode ser a de mais um boteco simpático, o que é verdade. Mas não é “mais um”, assim como quem diz igual a todos. O Bar do Peixe é da categoria “achados da arte culinária”. Virou ponto de encontro de famosos, políticos da região, clientes fiéis e turistas que sabem aonde ir. Ambiente simples, como simples e saborosos são os seus pratos.

Todos os pratos foram criados pelo proprietário, Luiz Henrique, 59 anos, que só foi aprender a cozinhar com 37 anos. Ele tinha aberto um barzinho pé-sujo, onde servia cachaça e uns salgados. Estava meio sem saber o que fazer com o seu bar até que um dia apareceu por lá uma pessoa vendendo uns dez quilos de peixes dos rios da região. Comprou tudo, temperou e fritou. Pronto, dali em diante foi só sucesso.

Luiz Henrique e o filho César apresentam a tilápia com camarão e a traíra frita.
Luiz Henrique e o filho César apresentam alguns dos pratos servidos no Bar do Peixe.

César, o filho, seguiu o caminho do pai e aprendeu a cozinhar com 15 anos. Hoje, aos 27 anos, divide a cozinha com Luiz Henrique. Fala com orgulho da sua traíra: “Eu tempero a traíra só com sal, que é para as pessoas poderem sentir o gosto do peixe.” É bom que se saiba que a traíra é um peixe de sabor forte, acentuado, e cheio de espinhas. O segredo é saber tirar as espinhas e transformá-la em filé. São raros os lugares do estado em que se pode comer traíra tão bem-feita.

As especialidades da casa são: traíra sem espinha (assada ou frita); traíra recheada com camarão e Catupiry, assada no azeite; iscas fritas de acará; tilápia grelhada com molho de macadâmia e Catupiry e o bolinho de tucunaré com Catupiry, servido como entrada. Faz sucesso há vinte anos, desde que o bar começou, em 1986.

Parte dos peixes servidos, como acará, bagre, cascudo e piau, vem dos rios da região. A traíra também vem dos rios da região, do Norte Fluminense e até de Minas Gerais. O tucunaré é pescado na represa da Light, formado pelas águas limpas do Ribeirão das Lages; a tilápia vem das criações locais. O Bar do Peixe serve, também, peixes do mar, como o dourado e o congro-rosa. Serve truta também.

Como aperitivo, a sugestão do Luiz Henrique é a batida de macadâmia com vodca.

Os doces

Essa história de concurso gastronômico, como o que existe em Piraí, é interessante porque vai incentivando as pessoas a criar novidades e partir para negócios novos, com sabor. É o caso da Adriana, doceira de mão cheia, que abriu o seu próprio negócio – a Tortas Adriana – e hoje vende seus doces para outras cidades, como Barra do Piraí, Volta Redonda, Barra Mansa e até Rio de Janeiro. Como não poderia deixar de ser, entre os mais de quarenta tipos de tortas, Adriana tem receitas especiais com macadâmia, com destaque para a musse trufada com crocante de macadâmia (bolo musse de chocolate branco, crocantes de macadâmia e chantili), vencedor do concurso gastronômico de 2004. Outra criação de Adriana é o mil-folhas com macadâmia (massa folhada, doce de leite com macadâmia e chantili), vendida em pedaços.

imagem mil folhas macadamia
Mil folhas com macadâmia, da Adriana doces.

Mas se você não foi a Piraí e, por alguma razão, está viajando de carro pela Via Dutra, sentido São Paulo–Rio, uma sugestão: faça uma parada para descanso (ou para abastecer o carro) na Casa do Mamão, localizada no Posto Nacional, que fica no km 237. Ali você vai provar a procurada torta musse de chocolate com macadâmia, com a qual o descendente de imigrantes alemães Martin Henrich Allers, o Mamão, venceu o concurso de gastronomia do Piraí Fest em 2005.

Klaus – filho do Mamão – hoje, ao lado da irmã Sabrina, toca o restaurante, explica que muita gente, caminhoneiros ou não, buscam apenas saborear a torta, ou, ainda, o pavê de macadâmia. A Casa do Mamão também vende a macadâmia assada e salgada.

imagem klaus com torta
Klaus e a tora musse de chocolate com macadâmia da Casa do Mamão.

Reserva Aroeira

A 16 km do Centro da cidade, no caminho de Barra do Piraí, sendo oito em estrada de terra, já na zona rural, o turista vai encontrar a paz entre morros, verde e lagos na Reserva Aroeira, a pousada do casal Henrique e Ana Catharina Marques Lisboa. A família de Henrique é dona do Hotel Fazenda St. Robert, referência para se chegar à pousada, que fica numa área de 50 alqueires, bem atrás do hotel.

imagem reserva aroeira
Reserva Aroera: paz entre morros, verde e lagos.

A pousada é nova, inaugurada em janeiro de 2005. A médica homeopata Ana Catharina, com consultórios na Barra da Tijuca e no Leblon, resolveu criar uma espécie de centro culinário, para deleite dos hóspedes. Ana explica que faz uma comida variada, mas usando produtos locais, como é o caso da tilápia e do pato, criado na propriedade.

imagem pato grelhado
Peito de pato grelhado com molho de manga, arroz, ervas e mandioquinha.

Para chegar às suas receitas, Ana fez vários cursos de culinária, depois de incentivada pelo marido, cozinheiro amador e, segundo ela, dos bons. Aprendeu tanto que já venceu por três vezes o concurso gastronômico. É com orgulho que sugere, como entrada da refeição, os pasteizinhos folheados de tilápia com mussarela de búfala. Como prato principal pode-se escolher entre a tilápia aroeira (filé grelhado servido em cama de alho-poró com risoto de maçã, camarão e abobrinha, e batata assada com gorgonzola) ou a tilápia com camarão. Também vale a pena experimentar o peito de pato (magret de canard) grelhado, com molho de manga, arroz de ervas e mandioquinha (batata-baroa) ao alho ou o arroz de pato.

A noz-macadâmia

Em Piraí se encontra o único pomar produtivo de macadâmia do Estado do Rio de Janeiro. A Tribeca produz a Macanuts do Brasil, noz-macadâmia assada e salgada, ideal para uso culinário e como aperitivo. Não deve nada à castanha-de-caju ou ao amendoim. Noventa e oito por cento da produção são exportados, mas se depender de Marcos Gonçalves, um dos sócios do empreendimento, essa relação vai mudar nos próximos anos, com investimentos no mercado interno de consumo.

Atualmente a Tribeca tem 45.000 árvores em produção, mas o objetivo é chegar a 85.000. Além da plantação e do beneficiamento da noz, produz-se mudas da planta para venda a produtores de outros estados.

A macadâmia é uma noz de origem australiana, país que divide com o Havaí a liderança da produção mundial. No Brasil, ela foi introduzida na década de 1970, em Poços de Caldas (MG) e Limeira (SP). Hoje, o maior produtor é São Paulo, mas há plantações também na Bahia, Espírito Santo, Minas e Paraná. O Brasil tem 3% da produção mundial.

Ela cresce em cachos, mas para se chegar à saborosa e crocante noz é necessário romper duas camadas do fruto. É rica em gordura monossaturada (cerca de 60%), a mesma do óleo de oliva. É, portanto, benéfica à saúde, reduzindo o risco de doenças cardíacas, pois atua na manutenção do chamado bom colesterol.

As visitas à Fazenda Santa Marta, onde está instalada a Tribeca, devem ser acertadas por intermédio da Casa do Manequinho.

Endereços e telefones
Bar do Peixe
Rua XV de Novembro, 242 – Centro. Tel: (24) 2431-1610. www.bardopeixepirai.kit.net
Casa do Mamão
Rodovia Presidente Dutra, km 237. Tel: (24) 2431-1620. www.casadomamao.com.br
Casa do Manequinho
R. Barão do Piraí, 90 – Centro. Tel: (24) 2431-9900
Reserva Aroeira
Tels: (24) 2465-6037 / (24) 2465-1642. www.reservaaroeira.com.br
Tortas Adriana
R. Pio XII, 58 – Centro. Tel: (24) 9967-7053 e 2431-0257
Tribeca (Macanuts do Brasil) / Fazenda Santa Marta
Estrada Piraí–Pinheiral km 10,5. Tel: (21) 3333-1144 / 3333-1186. www.tribeca.agr.br
Centro de Piscicultura (venda de filés de tilápia e também o peixe inteiro, limpo)
Av. Guadalajara, 39 – Centro. Tel: (24) 2431-3216

 

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