Paty do Alferes é um grande produtor de tomate. De acordo com os dados da prefeitura da cidade, o maior no Estado do Rio de janeiro e o terceiro do Brasil, com cerca de 800 produtores. Com a introdução de novas tecnologias agrícolas, a produção tem crescido nos últimos anos. São dois os tipos de tomate que se pode encontrar na região: o Santa Cruz, mais alongado, e o tomate caqui, mais achatado. E para comemorar a abundância deste fruto vermelho tão usado no dia-a-dia da nossa culinária, nada melhor do que uma festa.
A já tradicional Festa do Tomate acontece desde 1979, sempre em junho, na semana do feriado de Corpus Christi, com direito a premiação para os melhores produtores e concurso de culinária, nas categorias de doces e de salgados.

Os apaixonados por gastronomia inventam receitas mirabolantes tendo como base o fruto. Nas barraquinhas, várias opções, que vão desde a tradicional sopa de tomate com maisena e creme de leite, podendo entrar cheiro verde, ao gosto do freguês, até as mais surpreendentes. Na lista, incluem-se suco de tomate, tomate cristalizado, em conserva, tomate seco, geléia e doce de tomate com coco. Para provar, a melhor opção é planejar o fim de semana na cidade, no feriado da festa.
Para quem visita Paty do Alferes, a Laticínios Manoel Borges é parada obrigatória. Ali, Manoel produz várias delícias há 22 anos, ao lado dos filhos Rogério e Rogéria, genros e sobrinhos. “Uma empresa familiar”, diz Rogéria. Eles trabalham juntos na produção e venda de doce de leite caseiro, creme de leite, manteiga e queijos diversos. Quem gosta dos queijos clássicos tem muito que aproveitar - da ricota à mussarela, passando pelo parmesão, minas padrão e prato. A variedade de derivados do leite é grande. Entre eles está o iogurte, feito a partir de polpas de frutas com versões nos sabores mamão, morango, coco, pêssego, leite condensado e “salada de frutas (banana, mamão e maçã), além do natural. Para os adeptos das dietas fica a opção do morango light. A novidade é o doce de leite cremoso que leva geléia de maracujá ou morango, uma mistura que promete arrancar suspiros.
“Sempre testamos os produtos com rigor para garantir a qualidade”, explica Rogéria. A Laticínios Manoel Borges faz entregas em todo o Estado do Rio.
Já no Sítio das Goiabas a estrela é a fruta que dá nome ao local. Desde1988, Geraldo Amaral de Souza faz da goiabada cascão o doce principal da sua produção e, segundo ele, “o melhor da região”. O título tem razão de ser; ao contrário da maior parte da produção de goiabada industrializada, a do Seu Geraldo é genuína, feita no fogão à lenha. O cozimento da iguaria é bem lento e sem conservantes. É o que confere ao doce um sabor especial e de caráter único.
Antes de experimentar a goiabada, é possível visitar o sítio e a plantação de goiaba. O visitante pode chegar, pegar a cestinha e colher a fruta madura, do pé. Depois, se quiser, é só adquirir na lojinha as versões goiaba em calda e goiabada cascão. E tem mais: doces de leite com coco, ameixa, figo, maracujá e os licores de jabuticaba, de jenipapo, figo, de coco e o mais pedido, de figo.

O quindim da Didita já atravessou uma geração. E, com a idade, foi ela mesma quem quis passar o bastão para o filho Paulo Sérgio Panasco, o Paulinho. O diferencial da receita é a suavidade do doce, sem gosto nem cheiro de ovo, apesar das mais de 20 gemas usadas. O segredo? Eles não revelam, “nem sob tortura”. Mas contam que os segredinhos são muitos. Há 22 anos a receita se repete e ninguém sabe os mistérios. Mas o que importa mesmo é o sabor, de lamber os beiços. Paulinho só deixa escapar um detalhe: o coco utilizado é natural e o doce não leva corante algum. Quem aprecia um bom quindim não pode deixar de ir lá provar. Na cidade do Rio de Janeiro também é possível provar o quindim, no restaurante Siri Mole & Cia., em Copacabana.

O Comilâncias Doces, de Arlindo Luiz do Nascimento Júnior, produz um dos melhores doces da região, o “pé de moça”. Explica-se: trata-se de um pé de moleque modificado, feito à base do tradicional leite condensado Moça. “Foi um cliente nosso que provou o suposto pé de moleque e disse: isso não é um pé de moleque, isso é um pé de moça!”, conta Arlindo. E o nome pegou. O doce existe há 15 anos e é famoso na cidade por ser saboroso e macio. O segredo é a troca do açúcar mascavo pelo leite condensado e cacau. O Comilâncias Doces também produz mais de 60 tipos de tortas, com destaque para as de maçã, de nozes e chocolate com licor de amarula, muito requisitadas. Outra atração açucarada é o pudim de leite condensado com calda de café.

Sempre nos feriados da Semana Santa acontece em Paty a Festa do Doce. Há 15 anos a antiga Estação Ferroviária, que fica na Praça Jacob Abdue, é palco para o evento - um baita incentivo aos produtores da região, já que a produção ainda é artesanal. Cerca de 10 mil visitantes vão a Paty para se divertir e, é claro, comer doces.