Brasil, 31 de Julho de 2010

Miguel Pereira

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Mapa da Região: 
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Miguel Pereira é uma cidade para descansar e aproveitar o ótimo clima, considerado um dos melhores do Brasil. Raramente a temperatura ultrapassa os 28ºC. Por isso, é sempre um prazer passear pelas ruas da pequena e agradável cidade, rodeada de parques e lagos. Além do clima, Miguel Pereira oferece frios, queijos, doces e cachaça.

Você pode perder a linha nos doces da dona Carmem, degustar uma das melhores cachaças do país, a Magnífica, saborear os afamados queijos e frios do Sítio Solidão, com destaque para o excelente queijo-de-minas frescal, escolhido para ser servido aos chefes de estado da Rio 92, e terminar com um jantar no Summer Garden, restaurante de boa qualidade que procura sempre usar os ingredientes da região.

Doces da melhor qualidade

Dona Carmem já não está mais entre nós. Depois de 46 anos produzindo e vendendo doces da melhor qualidade, ela faleceu em setembro de 2006. Mas as receitas e a administração do Doces Carmem foram herdadas pela filha Claudete Amaral, que já trabalhava com a mãe quando era viva. Claudete, como a mãe, é boa de conversa e, se depender dela, você vai experimentar todos os doces. A casa da dona Carmem é um ponto tradicional de doces da melhor qualidade. Basta tocar a campainha que sempre chega alguém para atender a porta e lhe levar para a cozinha.

Emily Sasson

Doce de goiaba, pronto para comer

Dona Carmem de Carvalho Amaral começou fazendo doce de laranja-da-terra em 1960. Hoje são produzidos os seguintes doces: pasta de manga (que pode ser comida com carne assada ou lombinho), geléia de uva preta (mais ácida), geléia de jabuticaba (bem ácida), pessegada de pêssego verde, abóbora com coco, geléia de morango, bananada, goiabada (ponto de colher – mais molinha), compotas de jaca, de carambola, de manga, banana, pêra, figo, caju, goiaba, mamão espelhado (feito com lascas da fruta), laranja-da-terra, mamão com coco e os doces de coco, de leite e de coco com açúcar queimado. Ela faz também biscoito de nata, pingo de leite, doces cristalizados e licores de jabuticaba, leite e jenipapo. Tudo feito com a ajuda da filha Claudete e da funcionária, Inês, que trabalha com ela desde 1989.

É uma variedade de cores, cheiros e, claro, sabores. O cliente pode experimentar o que quiser e depois é só escolher o tamanho do recipiente para os doces que for comprar. Dona Carmem (os Claudete) enche generosamente o vidro na hora. Os preços dos potes variam, dependendo do tamanho, de R$ 7,00 a R$ 22,00, mas não se aceita cheque.

Endereço e telefone
Doces Carmem
R. Dr. Pedro Saulo, 70 – Remanso. Tel: (24) 2484-2933

Sítio Solidão: queijos, frios e cachaça

Tem o famoso queijo-de-minas frescal, que se desmancha na boca, tem o queijo curado de massa cremosa, uma delícia, tem queijo de cabra tipo caprino romano e tem queijo tipo da Serra da Estrela, em Portugal. No Brasil, esse tipo de queijo é produzido apenas no Sítio Solidão. Em Portugal é feito com leite de ovelha; aqui, com leite de vaca. O proprietário do Solidão, Luiz Francisco Menezes, conta que demorou 15 anos para fazer o ponto desse queijo, bem suave e macio.  Mas há, pelo menos, mais dez tipos de queijos para provar.

 

Chico Junior
Queijo curado
O queijo tipo Serra da Estrela

O Sítio Solidão fica na Rota do Caminho Real. É na entrada da propriedade que está a loja-delicatéssen e, ao lado, o bistrô onde se degustam as delícias que vão dos queijos aos frios, passando pela cachaça de rapadura e pela mais recente novidade, o sorvete de creme de leite. No restaurante, o menu tem os produtos Solidão utilizados como ingredientes de receitas da cozinha alemã.

Na loja pode-se experimentar um dos mais de oitenta tipos de sanduíches feitos com os produtos da casa. O Sítio Solidão também produz uma cachaça bem artesanal, feita de rapadura e envelhecida durante 18 meses.

Luiz faz questão de manter uma produção pequena da cachaça, à venda apenas no sítio. O processo é bastante simples: a rapadura é diluída numa dorna e depois fermentada em outra. Esse processo leva de 24 a 48h. Depois, o caldo é levado ao alambique para destilar, o que dura 8h. A etapa final é o envelhecimento no barril, por um ano e meio. Depois é só engarrafar e beber.

Já a linha de queijos, fria e embutida, é vendida em vários pontos do Rio de Janeiro. As fábricas ficam no topo do sítio. Existem restrições à visitação por medidas de higiene, mas, até o final do ano, Luiz garante que a produção de queijos poderá ser vista através de uma grande janela, na parede principal da área de produção.

A linha de embutidos, frios e defumados é tão ou mais variada que a de queijos. Tem desde língua bovina defumada, lombo maturado e presunto de javali a salsichão branco temperado e lingüiça calabresa.

No início de 2007, passa a funcionar uma filial do pontos-de-venda na Estrada do Imperador, onde também está a pousada para os que curtem passeios mais radicais. Com apenas três suítes, hóspedes e viajantes poderão degustar também as tábuas de queijos e frios, além dos embutidos e cervejas importadas servidos pelo Sítio Solidão.

Endereço e telefone
Sítio Solidão
R. Zélia, 12 – Centro. Tel: (24) 2484-2404. www.sitiosolidao.com.br

Cachaça Magnífica

Considerada uma das melhores cachaças brasileiras, a Magnífica tem novidade. O mercado já conhecia as “versões” branca e amarela. Agora é a vez da Reserva Soleira.

Chico Junior
Solteira
A Magnífica Soleira

A cachaça branca é envelhecida no ipê, uma madeira que praticamente não interfere no gosto da bebida, apenas a amacia. Já a cachaça amarela, de rótulo preto, é envelhecida em barris de carvalho, que transferem o sabor da madeira à bebida. Ambas são envelhecidas por dois anos. O produto final é a mistura de várias barricas.

Já na soleira, o envelhecimento, em barricas de carvalho, é o mesmo sistema usado para o rum e o xerez: a bebida não fica estacionada em uma barrica (o que às vezes pode variar um pouco o sabor e demanda um acompanhamento maior da qualidade), muda de uma para outra de tempos em tempos, em sistema de rodízio, o que garante uma qualidade quase perfeita no sabor. Considerada um tipo de cachaça extrapremium, a soleira da Magnífica é a única no Brasil.

João Luiz de Coutinho Faria, proprietário da Fazenda do Anil, onde produz a Magnífica, informa que tem duas estantes da soleira, com 128 e 98 barricas cada uma, divididas em sete e oito prateleiras, respectivamente, o que significa dizer que, ao ser engarrafada, a bebida já passou por 226 barricas. Todo o processo resulta em uma produção mais padronizada.

A Fazenda do Anil é um bom lugar para se aprender o processo de elaboração de uma cachaça de alambique. A fazenda tem grande extensão, com aproximadamente cem alqueires, sendo trinta só de plantação de cana-de-açúcar. O visitante pode percorrer de carro seus caminhos, por entre as matas, açudes e colinas. Além de paisagens belíssimas, verá as plantações de cana-de-açúcar em diferentes estágios, algumas prontas para o corte, outras não.

Ao chegar à área de produção, pode-se conhecer desde a moenda da cana-de-açúcar até o armazenamento nos barris. A grande atração é o alambique alegria, todo feito de cobre e com proporções gigantescas. Ele tem três níveis, um para cada caldeira, e uma escada dá acesso pela lateral para ver de perto cada uma. O processo de produção é todo visível e, durante a moenda, quem quiser pode experimentar a garapa.
Cada alambicada rende aproximadamente 500 litros e, em épocas de grande produção, são feitas três por dia, com duração de aproximadamente 3h. Do começo da manhã, quando é cortada a cana, até às 18h, pode-se assistir ao processo de fabricação da cachaça Magnífica. Por conhecer cada canto da fazenda, é o próprio João Luiz quem, geralmente, faz o passeio com os visitantes.

Chico Junior
Joao Luiz
João Luis, o produtor da Magnífica

João começou a produção em 1985. Ele confessa que bebe cachaça todos os dias. Uma vez por mês, faz pessoalmente a prova das barricas para realizar a mistura final. A prova consiste em tirar uma amostra de cada barrica do lote, por volta de vinte amostras, classificá-las por cor, cheiro e sabor, e decidir quais serão misturadas para serem engarrafadas.

Para chegar à Fazenda do Anil, as indicações são as seguintes: em Miguel Pereira, pegar a direção do Hotel Montanhês, o maior da cidade. Passa pelo hotel e segue até chegar a São José da Rolinha, onde há um campinho de futebol. Pegar à esquerda, onde começa a Estrada do Anil. Daí é só seguir em frente até chegar ao portão da fazenda, onde a estrada termina. Todo esse caminho é feito numa estrada de terra.

Endereço e telefone
Cachaça Magnífica / Fazenda do Anil
Estrada do Anil, 4.000. Tel: (21) 2508-9042 e 2484-2904. www.cachacamagnifica.com.br

Cachoeira de Cachaça

É também de Miguel Pereira a Cachoeira de Cachaça, produzida na Fazenda Santo Antônio da Cachoeira. A propriedade, de cerca de 260 anos, era de Joaquim Alcântara, engenheiro agrônomo, criador de gado, que começou a plantar cana para alimentar os animais nas épocas de seca. Apaixonado por cachaça, especializou-se na técnica de produção da bebida, que passou a fazer aproveitando o caldo da cana que sobrava. O hobby virou negócio.

Na construção antiga, que ficava na estrada alternativa à Estrada Real, já existia o alambique. Com 150 anos, foi restaurado e modernizado há 30, com a manutenção da originalidade dos alambiques do tipo Alegria. Entre provas e experimentações, a suave cachaça envelhecida em barris de carvalho foi o motivo para a implantação da primeira usina de destilação de cachaça industrial, no interior de São Paulo.

O paulista Joaquim faleceu há cinco anos, mesmo tempo em que saiu o registro da Cachoeira de Cachaça. Quem está à frente do negócio é o filho Roberto, que vive em São Paulo. A bebida é vendida em garrafa artesanal, de vidro soprado, produzida uma a uma pela artista plástica Regina Ricetti. Este é um diferencial que confere requinte à cachaça.

O alambique pode ser visitado. As visitas devem ser pré-agendadas com o Sr. Chico, administrador, ou com o próprio Roberto. Lá se pode adquirir a cachaça, embora já possa ser encontrada em alguns estabelecimentos, no Rio e em São Paulo (Empórios Santa Maria e Diniz, em SP, e Porto Leblon e Garcia & Rodrigues, no Rio).

Endereço e telefone
Cachoeira de Cachaça
Estrada da Cachoeira, 3.102. Tels: (24) 2484-4964 e (11) 3081-0970 / 9289-2177 (Roberto). E-mail: bomfimagricultura@terra.com.br

O agradável Summer Garden

O Summer Garden é o tipo de restaurante interessante. Fica em um local muito agradável, cercado de verde, um pouco afastado do Centro da cidade; além disso, a sua comida é boa. A chef e proprietária, Diana Vieira de Carvalho, carioca de Santa Teresa, mas há muitos anos em Miguel Pereira, procura fazer uma culinária que usa e abusa dos ingredientes locais, como a cachaça. Tem até um Cardápio Magnífica, com vários pratos feitos à base de cachaça, como os camarões ao curry de coco e Magnífica, com arroz de canela e castanhas-de-caju. Muito interessante! Ou a tilápia ao molho de batida de maracujá com arroz de camarões. Há, ainda, o lombinho de porco ao molho de limão e Magnífica e o risoto de camarões ao maracujá e Magnífica. Há outros mais, como um tal de tutu de feijão bêbado.

Chico Junior
Imagem de prato de camarão ao curry e flor ao lado.
Camarão ao curry de coco com Magnífica

A tilápia, mencionada acima, aparece em diversos outros pratos e vem de um criador da região, o Mamão. Há trutas também, que são de Friburgo.
Diana vive variando o cardápio, mas suas criações não poderiam deixar de fora o café, claro. Em alguns casos, até misturá-lo com a cachaça, por que não? Ela lhe serve, então, uma batida de café para abrir o apetite. Para comer, há um delicioso escalope de mignon ao molho de café e queijo curado (do Sítio Solidão, é claro) ou o penne ao molho de café ao funghi e camarões. O Summer Garden abre de quarta a domingo para almoço e jantar.

Chico Junior
Imagem da Diana segurando um prato na mão.
Diana, criações com café e cachaça
 
Endereço e telefone
Summer Garden
R. Bruno Lucci, 909. Tel: (24) 2484-1814. www.summergarden.com.br 

 

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