Às vezes, nada supera um bom filé. Oswaldo Aranha que o diga. Esse senador da República, um dos articuladores da Revolução de 1930, é outro personagem da história que deu por inventar receitas. Nesse caso, foi no restaurante Cosmopolita, que existe desde 1926, na Lapa. Oswaldo Aranha saía ali do Senado Federal, antigo Palácio Monroe, ao lado da Cinelândia, e ia a pé para o restaurante. O Senado foi para Brasília, o palácio foi abaixo, mas o filé ficou. O tal filé, uma das marcas registradas da cidade, é assim: filé alto, mal passado, com bastante alho frito picadinho por cima. Acompanha arroz, farofa e batatas portuguesas.

O Cosmopolita é o detentor da origem, mas dois restaurantes da cidade também ganharam o título de mestres no preparo do legendário filé. São eles: o centenário Café Lamas, no Flamengo, e o Filé de Ouro, que há quarenta anos funciona no Jardim Botânico. Ambos têm pratos fartos e são muito freqüentados por jornalistas, artistas, intelectuais e toda a gente.
Embora a especialidade do Filé de Ouro – e praticamente o único prato – seja o filé (com opção também para o contrafilé), um outro prato vai virando marca registrada: o risoto de camarão.
Outro clássico da série bovina é o picadinho de carne. Ele é figurinha fácil e sofre sutis variações em cada lugar. Aqui, a recomendação é escolher entre o ambiente requintado do Mistura Fina, em Ipanema, ou o clima informal do Botequim, em Botafogo.
No Mistura Fina, o filé-mignon é cortado em pedaços bem pequenos e vem acompanhado de arroz, com ovo poché por cima, creme de milho, farofa e banana frita. E não é mero acaso que há 13 anos é o mais pedido. Na receita do picadinho entram bacon, alho, cebola, alho-poró, conhaque, molho madeira e molho de tomate.
O simpático Botequim não deixa a desejar e apresenta duas versões: picadinho Luís Antônio, que vem com farofa de banana, batata frita, arroz com lingüiça toscana e ovos mexidos; e picadinho Botequim, acompanhado de farofa de carne-seca, arroz, aipim frito e caldinho de feijão. Os dois são igualmente queridos pelos comensais. E vêm servidos como manda a tradição: no prato de barro.