Brasil, 21 de Maio de 2013

Santa Teresa: bondinho do sabor

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Santa Teresa: bondinho do sabor

Numa das poucas retas do bairro, o boêmio esfomeado encontra belos achados da gastronomia carioca. Carioca? Estão lá o Bar do Arnaudo, de comida nordestina, o Bar do Pimenta, de comida alemã, e o Espírito Santa, cuja chef é amazonense. De sobremesa, os doces portugueses de Alda Maria. Tudo isso num trecho da famosa Rua Almirante Alexandrino. Sem esquecer, porém, o Bar do Mineiro, que não é na Almirante Alexandrino, mas é como se fosse, pois a Paschoal Carlos Magno, que um dia já se chamou Mauá, é um prolongamento da principal rua do bairro. Tudo na paz de Santa Teresa.
Podemos dizer que tudo começou há 36 anos, quando o pernambucano Arnaudo comprou do seu Américo um botequim pé-sujo. Não demorou muito e o Bar do Arnaudo virou um restaurante especializado em comida nordestina. De lá para cá outros foram surgindo. Por exemplo, o Bar do Mineiro, que Diógenes abriu há 11 anos e hoje divide as honras da casa com a sócia Ângela. Mais ou menos da mesma época é a Adega do Pimenta, na realidade, William.

Chico Junior
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Arnaudo, o pioneiro em Santa Teresa

 Arnaudo sabe o que faz e oferece um cardápio de variedades de carne-de-sol. Com macaxeira, feijão-de-corda e farofa de abóbora. Tem até com batata-doce. Ainda oferece o saudoso sarapatel e o pirão de leite com carne-de-sol. O restaurante abriu no dia 1.º de setembro de 1970 e desde então virou um clássico.

Adega do Pimenta

Chico Junior
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O prato matador da Adega do Pimenta

Pertinho dali, coisa de 30 metros, está a Adega do Pimenta, que entra na categoria dos restaurantes tradicionais de Santa Teresa. A comida é alemã e o prato Matador (esse é seu nome) reúne salsichas branca e bock, kassler, bacon, patês quentes de fígado e morcela, chucrute e batatas cozidas. Quer pegar mais leve? Tem pato e coelho assados com repolho roxo. E não poderia faltar der joelho defumado. Grande parte dos produtos vem da Fazenda do Alemão, em Mendes, ícone da culinária alemã no interior fluminense.

Bar do Mineiro

Chico Junior
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Um pouco mais para frente, na direção do Paula Mattos, está o pastel mais famoso do bairro. Não diremos que é o melhor do Rio, mas o pastelzinho de feijão do Mineiro tornou-se certamente um clássico. O pastel tem formato quadrado e o recheio é de uma deliciosa feijoada. Esse bar traduz todo o despojamento de Santa, o pessoal gosta de ficar na porta tomando seu chope ou uma pinga (no cardápio tem mais de 20) e falando genialidades que ninguém ousa cometer fora de um bar. 

Aprazível

Divulgação
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A galinhada caipira do Aprazível

O pólo gastronômico é tão variado que cabe até comida brasileira artesanal. É assim que Ana Castilho, proprietária do restaurante Aprazível, na rua de mesmo nome, descreve seu variado cardápio. Mas não se engane: ela é mineira! Daquelas viajadas, que já trabalhou em restaurantes de Nova Iorque, fez escola francesa e não dispensa produtos maranhenses – como a pescada amarela, a pimenta-de-cheiro e o caranguejo. Mas ai de quem não provar o pão de queijo da receita da avó de Ana, que faz parte do couvert.
Se for para recomendar apenas um prato – tarefa difícil – vá de galinhada caipira. É um arroz de frango caipira e lingüiça mineira, acompanhado de banana-da-terra assada, chicória e feijão surpresa. Ela explica: “É um feijão mineiro com miolo de pão. Ele é preparado em camadas, primeiro coloca-se o feijão, depois tomate, paio, crosta de pão, azeite e tomilho”.
A bela cozinha fica à vista dos visitantes, mas não perca a vista privilegiada para a Baía de Guanabara. Dê uma volta pelo restaurante e em algum momento você vai chegar num canto sagrado: o Botequim do Souza. Lá está a iguaria mais cara e mitológica do lugar: a cachaça Santa Cana. É praticamente peça de colecionador – só existem 270 garrafas a R$ 440,00 cada uma.
A história é interessante. Essa cachaça foi produzida pelo senhor Souza, pai de Ana, em sua adega na cidade mineira de Santa Luzia. Pois a adega desmoronou e os barris ficaram enterrados por trinta anos! Sim, é uma cachaça envelhecida por pelo menos três décadas. Os dois barris que puderam ser recuperados estão na porta do Botequim. Caso não seja possível comprar a garrafa, peça para o moço tirar a rolha só para você inspirar aquele bálsamo.

Espírito Santa

Chico Junior

Natacha: culinária da Amazônia em Santa Teresa

Santa Teresa adora uma novidade. E há de ter requinte, mas sem perder a informalidade jamais. Assim é o restaurante Espírito Santa, com seus molhos de frutas amazonenses e seu prato de namorado na folha. O peixe (que também pode ser o filhote) é recheado com camarão e caranguejo de água doce. Vai ao forno coberto com a folha de couve para não ressecar. É servido na telha ao molho de leite de coco com leite de castanha.

Outro carro-chefe é o tambaqui de Solimões, em homenagem ao rio. O peixe vai rapidamente para a grelha só para marcar e, depois, ao forno no vapor. É recheado com camarão e guarnecido com palmito de pupunha. O molho é de taperebá, feito de uma redução da fruta com a cachaça Magnífica.
A chef amazonense Natacha Fink (o nome é herança do avô polonês) é uma apaixonada pela culinária brasileira. Nas suas receitas, usa manteiga de garrafa e substitui vinho por cachaça. Por falar nisso, a caipirinha de graviola com jambu é imperdível. “Os índios comem jambu antes de todas as refeições. Essa fruta abre as papilas degustativas”, explica Natacha. “E por conta dessa característica o jambu também está presente em nosso couvert”.

Goya Beira

No bucólico bairro de Santa Teresa todo mundo tem vez. Você, vegetariano que tem uma dificuldade tremenda de encontrar seu lugar nesta cidade que não dispensa uma boa carne, eis a solução: o Goya Beira, no Largo das Neves. A especialidade é a pizza de berinjela montada na pedra-sabão. A massa é caseira e a espessura quem escolhe é o freguês, já que é tudo feito na hora. A berinjela é à moda italiana, conservada em azeite e temperada com alho e ervas.

Alda Doces

Chico Junior
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Os doces da Alda: receitas portuguesas

Seguindo por esses trilhos de la dolce vita, chegamos ao ponto final: a sobremesa. Trouxas d’ovos, nozes e amêndoas, toucinho do céu, caramelados de frutas, pastéis de nata, bem-casados com ovos-moles e chocolate. Os doces de Alda Maria são do tipo que viciam, você vai pensar neles enquanto canta Ave Maria, na missa de domingo. Essa doceira de Pelotas produz muito sob encomenda, e também recebe os clientes em casa. Ela montou mesas e um pequeno museu do doce, com os utensílios que sua avó portuguesa usava. As receitas foram passando de geração em geração – Alda já é da oitava.
Amanteigados, trufas, ninhos e merengues recheados. Não há como escapar desses suicídios discretos que nos dão alegria de viver. Tão cruel é a natureza do doce.

Endereços e telefones
Adega do Pimenta
R. Almirante Alexandrino, 296. Tels: (21) 2224-7554 e 2242-4530
Aldas Doces Portugueses
R. Almirante Alexandrino, 1.116. Tel: (21) 2232-1320. www.aldadocesportugueses.com.br
Aprazível
R. Aprazível, 62. Tels: (21) 2508-9174 e 2507-7334. www.aprazivel.com.br
Bar do Arnaudo
R. Almirante Alexandrino, 316-B. Tel: (21) 2252-7246 e 2210-0817
Bar do Mineiro
R. Paschoal Carlos Magno, 99. Tel: (21) 2221-9227
Espírito Santa
R. Almirante Alexandrino, 264. Tel: (21) 2508-7095. www.espiritosanta.com.br
Goya Beira
Largo das Neves, 13. Tel: (21) 2232-5751 

 

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