Rio e São Paulo disputam o título de quem faz a melhor feijoada, já que em ambas as capitais são muitos o lugares onde se pode comer esse maravilhoso e pesado prato. No Rio, o dia da feijoada é sábado. O prato já virou atração turística. Churrascarias, hotéis de luxo, restaurantes famosos, são vários os locais onde se come a tradicional feijoada. Mas há um lugar em que não é preciso esperar o sábado para saboreá-la, a Casa da Feijoada, em Ipanema. Considerada um dos pontos turísticos mais importantes da cidade pela Riotur, há 14 anos serve comida brasileira e é um dos restaurantes mais tradicionais da Zona Sul. Ali, feijoada é sempre o prato do dia.
Além do pôr do sol no posto nove, o típico carioca Zona Sul tem outros motivos para bater palmas. A começar pela fartura diária da feijoada servida na Casa da Feijoada. Para abrir os trabalhos, o garçom começa servindo um caldinho de feijão impecável. Logo depois, vem uma lingüiçinha defumada frita. Pronto. Começa o ritual de todo e qualquer brasileiro, não importa raça, credo, religião ou classe social. O ritual de comer uma tradicional feijoada completa. O leitor certamente sabe do que se trata.
O freguês escolhe as carnes de sua preferência. Orelha de porco, rabinho e chispe sempre provocam certa controvérsia e podem ficar de fora. Mas carne-seca, lombo salgado, costela salgada, carne de boi, língua defumada, paio e lingüiça fresca devem ser aceitos de bom grado. As carnes chegam borbulhando na panela de barro. Se você é daqueles que gosta de tudo, melhor ainda.

Os acompanhamentos são a gangue de sempre: arroz branco, aipim frito, laranja, couve à mineira, farofa e torresminho. Tudo muito bem preparado. De tempos em tempos, o garçom passa com um caldo de feijão quente, para regar o seu prato. Chega um momento em que você vai desabotoar sutilmente as calças e continuar comendo até a respiração ficar curtinha. Faz parte do ritual.
O responsável por trás de tudo isso é um simpático cearense chamado Antônio Marcos Barbosa. Ele é, há 14 anos, o chef de cozinha da casa. Explica que a tarefa mais trabalhosa é “dessalgar” as carnes. Precisa trocar a água de três em três horas, um trabalho que no sábado e domingo começa com 24 horas de antecedência. Todo fim de semana são preparados aproximadamente 30 kg de cada uma das carnes mais pedidas. É muita carne.
Um dos segredos do tempero da feijoada é outra carne. Chama-se PA, que é muito gordurosa. Ela entra no caldo, faz sua mágica e sai. Antônio revela que dá um sabor distinto ao prato. É mesmo especial, símbolo de nossa identidade.
Informação adicional: a Academia da Cachaça, no Leblon, também oferece, especialmente, feijoada no almoço.