Em 1884, foi fundado o Rio Minho. Especialista em peixadas, é lá que se toma a preciosa sopa Leão Veloso. Alguns contam que a sopa foi inventada no restaurante Cabaça Grande (que já fechou), na Rua do Ouvidor, como o Rio Minho. Mas tudo indica que a verdadeira, a primeira, aquela que o jornalista e então embaixador do Brasil na França se meteu a fazer na cozinha do restaurante, aconteceu mesmo no Rio Minho. Hoje o restaurante é comandado pelo espanhol Ramon Dominguez. O preparo começa de manhã bem cedo, quando chegam os peixes frescos. Quem dá o sabor do caldo são as cabeças de todos os peixes misturadas aos temperos. Assim que ganha consistência, as cabeças saem e entram o cherne, o polvo, a lula, os mexilhões e os camarões. Umas torradinhas do lado e voilà, uma delícia. Detalhe: o Rio Minho é o restaurante mais antigo do Rio.
Ainda no Centro há um restaurante bem tradicional de comida brasileira, que começou como botequim, foi crescendo e hoje é ponto de encontro, na hora do almoço, de muitos executivos. No Escondidinho, localizado no Beco dos Barbeiros, perto da Praça XV, comem-se pratos tradicionais da culinária regional brasileira. Um deles chama a atenção por ser tão inusitado: a famosa cabeça de cherne.
Fundado em 1958 por dona Lurdes Felgueiras, cozinheira de mão-cheia, já falecida, o Escondidinho serve a tal cabeça de cherne há trinta anos. Como para fazer o prato é necessário um cherne de 12 kg, há que se reservar o prato com um dia de antecedência. O prato satisfaz, tranqüilamente, três ou quatro pessoas. E como comer uma cabeça de peixe enorme? Fique tranqüilo(a). Caso você queira, o garçom se incumbe de separar a carne da cabeça.

Além desta especialidade, o Escondidinho tem outro prato famoso: a costela cozida com feijão-manteiga, que é uma verdadeira perdição. É o prato mais consumido. Ainda tem, nesse restaurante, rabada com agrião, frango ao molho pardo, frango com quiabo, bacalhau e muito mais.
E se o prezado cliente quiser uma sobremesa diferente, única no Rio de Janeiro, é só pedir o doce de marmelo, outra tradição do Escondidinho. É uma espécie de compota servida com queijo-de-minas. Dá para duas pessoas.
Nosso passeio pelo Centro não poderia deixar de incluir o tradicional Bar Luiz, famoso pelo seu chope, resultado final de uma famosa “máquina” com 720 metros de serpentinas, orgulho do lugar. Como tem alguns pratos característicos da culinária alemã, aventure-se pelo kassler (costeleta de porco defumada) ou pelo einsbein (joelho de porco), salsichas, salsichões, tudo acompanhado pela sua não menos famosa salada de batata ou pelo chucrute. O rosbife e a carne assada também são marcas registradas da casa. Localizado na Rua da Carioca, próximo à Praça Tiradentes, o Bar Luiz foi fundado em 1887.
Saindo do Centro e dos peixes, é hora de se aventurar pelo intitulado reduto da boemia, a mitológica Lapa. E do outro lado dos arcos há um tesouro: o Nova Capela é bem fácil de achar, mas seu tenro cabrito com arroz de brócolis é de uma riqueza inefável. Outra opção interessante, cada dia mais atrativo, é o javali, caprichado no tempero. E tudo cai bem a qualquer hora, já que esse centenário restaurante fica aberto até às 5h da manhã.
O Capela original foi fundado em 1903, onde existia o Largo da Lapa. Demolido por causa de uma das reformas do bairro, instalou-se em 1967 na Rua Mem de Sá.
Outro lugar tradicional da Lapa é o igualmente centenário Bar Brasil, fundado em 1907 com o nome de Zeppelin, na esquina da Rua do Lavradio com a Mem de Sá. Veio a Segunda Guerra e achou-se por bem mudar o nome para Bar Brasil. Como o nome original indica, o chamariz são pratos da cozinha alemã, como o kassler e o einsbein, sempre acompanhados por lentilhas. Ou parta para um prato tradicional da casa, com um toque de brasilidade: kassler à mineira, tutu de feijão, arroz, couve, chucrute, salada de batata ou arroz de lentilhas. Outra sugestão: bolinhos de carne com arroz de lentilha. Como sobremesa, apfelstrudel. E o chope está entre os melhores da cidade.
Teresa Corção, também conhecida como a embaixadora da mandioca, graças ao seu Projeto Mandioca, é dona d’O Navegador, um centro de referência da boa comida regional brasileira contemporânea no agitado Centro do Rio. Dentre as várias delícias criativas estão o couvert com grissini de mandioca e patê de foie da casa, a tapioca de bobó de camarão e os pratos da semana, que incluem pernas de vitela e cordeiro e ostras de Santa Catarina; pirarucu da Amazônia, o frango ao requeijão mineiro e o camarão de cuecas. Quem faz esta última escolha, ganha o prato da Boa Lembrança.

O Navegador é o lugar ideal para quem procura um ambiente tranqüilo e comida de boa qualidade. Fica no 6º andar do prédio do Clube Naval, construído em 1908 e tombado pelo Patrimônio Histórico. Um dos destaques é o Bar de Saladas Orgânicas, criado a partir de pedidos de clientes. Os fornecedores, todos certificados, oferecem o que têm disponível e o “cardápio é bolado”. Quem quiser ver o cardápio atualizado, inclusive a sugestão da semana, é só acessar www.onavegador.com.br.