
Paraty, que faz divisa com a paulista Ubatura, respira história, cultura e gastronomia. Faz parte da Estrada Real (Caminho Velho) e tinha sua importância por ser o porto pelo qual saíam para Portugal o ouro e o diamante que vinham das cidades mineiras, como Diamantina, Serro e Ouro Preto, antiga Vila Rica. Começou a ser construída no início do século XVII. Segundo a Unesco a cidade tem o conjunto arquitetônico mais harmonioso do século XVIII do Brasil. São mais de 400 construções baixas ou assobradas, com cerca de 300 anos.
A cidade também é cultura, não só pela sua história, mas pelo já famoso Festival Literário Internacional de Paraty, que anualmente reúne escritores, intelectuais e artistas do Brasil e do exterior. Cultura ali é tão importante que a Prefeitura construiu a Casa de Cultura, uma das melhores, mais equipadas e modernas do estado. E já aqui começamos a juntar cultura com gastronomia, ao descobrirmos, numa das gavetas de documentos, os originais do "Cadernos de Receitas de Diferentes Doces", de 1840, deixada por D. Luiza Alexandrina da Mata Ribeiro, de importante família da cidade, na época. Nos seus "cadernos" vamos encontrar preciosidades como filhos de maça, podim, marmelada, não chega para ninguém, brevidades, amorosos e manjar brasileiro. Um achado.

A cidade fica à beira da Baía de Paraty e próxima a lindas praias. Portanto, não deixe de fazer um passeio de barco pela baía e pelas praias. No cais há diversos tipos de embarcações que fazem o passeio. Falar em mar é falar em peixes e camarões. E os frutos do mar povoam a mesa de restaurantes badalados, procurados pelos muitos turistas que vão em busca do sossego de Paraty. Assim, restaurantes como o Arpoador, Banana da Terra, Dona Ondina, Hiltinho, Matriz, Refúgio e Sabor do Mar o visitante come peixes, camarões, lulas, mexilhões e a mais conhecida criação do lugar, o famoso camarão casadinho.
Antonio Lapa, o Lapinha, garante que a iguaria foi criada há 50 anos por sua mãe. Ele é dono do Trailer do Lapinha, que fica no final da Praia do Pontal, a mais próxima do Centro Histórico, onde se come o saboroso prato por um terço do preço que se paga nos restaurantes da cidade. Ali, na simplicidade da beira do mar, comem-se também lulas recheadas e peixe frito.

É uma receita ao mesmo tempo simples e saborosa. Pegam-se dois camarões bem grandes, tipo VG. Abrem-se as barrigas, que são recheadas com farofa de camarão, refogada com cebola, cheiro verde e pimenta. Os dois camarões são presos com palitos e postos para fritar em óleo bem quente.
Houve um tempo em que alguém chegava em um bar, em qualquer ponto do Brasil, e pedia uma parati, ou seja, uma dose de cachaça. A cidade, que começou a produzir pinga de boa qualidade a partir de 1600, chegou a ter mais de cem alambiques. A cachaça fez tanta fama que Paraty foi a mais importante região produtora no Brasil Colônia e custava mais caro que qualquer outra do país.
Embora restem poucos produtores, a cidade organiza, desde 1983, o Festival da Pinga, sempre no mês de agosto. São poucos, mas de excelente qualidade, segundo atestam os entendidos no assunto.
Duas delas estão entre as 20 melhores do Brasil, de acordo com o ranking de cachaças de 2007 da revista Playboy: Maria Izabel (11ª) e Corisco (14ª).
A Maria Izabel é produzida no Sítio Santo Antonio, à beira-mar, no Corumbê, oito quilômetros ao norte de Paraty. O nome é de uma das netas de Francisco Costa, que produziu a cachaça até meados do século passado. Maria Izabel retomou a produção em 1997 e usa apenas a cana plantada no sítio para fazer a cachaça. Como a plantação está junto ao mar e em encosta, o que aumenta a concentração de açúcar, consegue-se um sabor especial à cachaça.

O alambique Maria Izabel produz quatro tipos de cachaça: a branca, armazenada em tonéis de jequitibá; a envelhecida, que fica, no mínimo, 12 meses em barris de carvalho; a azulada, em que folhas de mexerica são acrescentadas ao caldo de cana fermentado no momento da destilação; e a reserva especial, envelhecida em barris de carvalho e disponível apenas para degustação no alambique.
Além de visitas, é possível hospedar-se no sítio Santo Antonio, alugando a casa-sede, com quatro quartos, para até nove pessoas (duas camas de casal e cinco de solteiro), ou a antiga casa do caseiro reformada, para até quatro pessoas.
Outra famosa cachaça da região é a Corisco, que usa roda d’água para mover a moenda. Seus dois alambiques estão abertos à visitação. Ao lado do alambique há uma casa de farinha, também movida por roda d’água, onde se produz farinha de mandioca.
Já a Coqueiro foi a primeira cachaça do Rio de Janeiro a receber o selo de excelência do Ministério da Agricultura, projeto de melhoria da qualidade da cachaça artesanal que conta com a parceria do Sebrae–RJ. A Coqueiro é produzida por Eduardo Mello, no Engenho d’Água, há mais de 60 anos, sempre com o mesmo padrão de qualidade. Afinal, o processo é o mesmo que a família Mello usava há 200. A cana é colhida manualmente e moída em moendas movidas por roda d’água. O processo de fermentação é totalmente natural, sem nenhum aditivo químico e a destilação ocorre em alambique de cobre aquecido por fogo a lenha. Além da branca e da envelhecida, a Coqueiro fabrica outros cinco tipos de cachaça e todas podem ser compradas no engenho, aberto à visitação.

As cachaças de Paraty e de outros estados brasileiros podem ser compradas no Empório da Cachaça e no Porto da Pinga, ambos no Centro Histórico.
Arpoador
Rua da Matriz, 7 – Centro Histórico. Tel: (24) 9812-1606
Banana da Terra
Rua Dr. Samuel Costa, 129 – Centro Histórico. Tel.: (24) 3371-1725
Cachaças Coqueiro
Engenho d’Água: Fazenda Cabral. Entrada pela estrada Paraty – Ubatuba, a 6,5 km do trevo de Paraty. Tel: (24) 3371-1579 / 3371-0016. E-mail: emello@gmail.com.
Cachaças Corisco
Estrada do Corisco (fica a 800 m da entrada de Paraty, na direção de Ubatuba, logo depois de uma ponte). Tel. (24) 3371-1162 / 3371-0894.
Dona Ondina
Rua do Comércio, 32 – Centro Histórico. Tel.: (24) 3371-1584
Empório da Cachaça
Rua Samuel Costa, 22 – Centro Histórico. Tel: (24) 3371-6329.
Hiltinho
Rua Mal. Deodoro, 233 – Centro Histórico. Tel.: (24) 3371-1432/2155
Porto da Pinga
Rua da Matriz – Centro Histórico. Tel: (24) 3371-1310.
Trailer do Lapinha
Rua Orlando Carpineli, s/n – Pontal. Tel.: (24) 3371-1599
Refúgio
Praça do Porto, 1 (em frente ao cais do porto). Tel.: (24) 3371-2447
Restaurante da Matriz
Praça da Matriz, 2 – Centro Histórico. Tel: 3371-2820
Sabor do Mar
Rua Domingos Gonçalves de Abreu – Centro Histórico. Tel: (24) 3371-1872