Brasil, 31 de Julho de 2010

Diamantina

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Mapa da Região: 
Diamantina

Na terra de Xica da silva
 

Imagem tirada de cima da cidade.

Diamantina, o antigo Arraial do Tijuco, é o início da Estrada Real. O seu Centro Histórico guarda os resquícios do tempo em que a economia se baseava na extração de diamantes, riqueza que percorria um grande caminho, em lombo de burro e carroças, até o porto de Paraty, no Rio de Janeiro, onde era embarcada para Portugal. Como Ouro Preto, também é considerada pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade. Fica no centro-norte de Minas, em região famosa pela produção de queijo, com inúmeras fazendas produzindo o que há de melhor em queijo minas.

Diamantina é a terra onde viveu Xica da Silva, a escrava que mudou sua vida ao se casar com o contratador português João Fernandes de Oliveira, com quem teve 11 filhos. Xica da Silva deixou seu nome marcado na vida de Diamantina, principalmente pelo incentivo às artes e à cultura. O casarão onde viveu, do século XVIII, é dos cartões postais da cidade. Diamantina também é a terra do presidente Juscelino Kubistchek. A casa onde ele passou a infância está aberta à visitação.

Iagem da frente da casa.
Casa onde viveu Xica da Silva
 

Wandeka
 

Em Diamantina vive um dos mais importantes chefs do estado que, embora conhecido e solicitado fora dos limites da cidade, faz questão de ficar onde há 35 anos desenvolve as suas criações culinárias. Luiz do Rosário Vieira Lobo, o popular Wandeka, é o chefe da cozinha do restaurante O Garimpeiro, da Pousada do Garimpo, desde que foi fundado, em 1989. Filho de garimpeiros, aprendeu a cozinhar aos 13 anos com uma tia. Vandeka, cozinheiro premiado, já representou Minas em vários concursos culinários, sempre com muito sucesso, além de já ter servido várias figuras públicas, entre artistas e políticos, dentre eles Tancredo Neves, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Wandeka, cujo apelido vem das imitações que fazia da cantora Wanderléa, é um defensor da autêntica cozinha mineira, preferencialmente feita em fogão a lenha, panelas de barro ou pedra, temperos fortes e ingredientes frescos. Tem entre seus pratos principais o Xinxim da Xica, que, segundo contam, era o prato preferido de Xica da Silva, na realidade uma variação do frango com quiabo. Mas, certamente, o prato de sua predileção e o que mais sai no restaurante é o bambá do garimpo, seguido do broto de samambaia com costelinha de porco, ambos criações suas. Bambá quer dizer confusão. De sobremesa, doce de casca de limão, recheado com doce de leite e queijo minas para acompanhar.

Ricardo Pimentel
Imagem do doce de limão acompanhado do queijo.
Doce de casca de limão

 

Dois pratos do Wandeka

Bambá do garimpo. É feito com feijão carioquinha cozido, temperado e batido. Depois, o tutu de feijão é refogado no alho e na cebola roxa batidinha. Mistura-se couve cortadinha fina ao feijão e, por cima, costelinha de porco frita. Acompanha angu, mandioca cozida e arroz branco.

Broto de samambaia com costelinha de porco. É feito com broto de samambaia gigante, que dá nas encostas dos morros da região (não confundir com a samambaia caseira). Aferventa-se por três a quatro vezes para sair o amargo. Cozinha-se a costelinha de porco e, em seguida, frita-se. Depois a costelinha é refogada com alho, salsinha, cebolinha e urucum. Mistura-se o broto. Aí vai tudo para o fogo, durante 20 minutos, no caldo em que foi cozida a costelinha. Acrescenta-se salsinha e cebolinha e deixa-se mais três minutos no fogo.

 

Mercado Velho

 

Imagem de uma senhora com os doces de leite.
A produtora rural e o seu doce de leite enrolado na folha de bananeira
 

Todas as manhãs de sábado os produtores rurais da região levam seus produtos para vender no Mercado Municipal, mais conhecido como Mercado Velho, antigo rancho dos tropeiros. Os pequenos produtores rurais da região se reúnem ali para vender delícias locais, como o delicioso doce de leite cremoso, enrolado em folha de bananeira. Faz o maior sucesso. Outra sensação são os caldos da Tia Angelina Tatu, muito procurados, principalmente os de feijão e o de mandioca. Os vários queijos da região também são encontrados na feira, incluindo o requeijão escuro, uma especialidade do norte de Minas. Tem até um café, da Capelinha, cuja produção é totalmente artesanal. E frutas, farinhas (de milho e de mandioca), feijões, mel, pimentas, ovo caipira, ora-pro-nóbis e artesanato.

 

Imagem de um homem fazendo doces no mercado.
Os caldos da Tia Angelina: sucesso

 

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