Pertinho de São Lourenço e Caxambu, onde reinam os doces, está a cidade de Cruzília, terra de bons queijos, graças à produção da Laticínios Cruzíliense. Queijo minas com goiabada todo mundo já conhece e aprova. É hora de revelar, então, que outros tipos de queijos podem ser combinados com esse sem fim de doces. E a Cruziliense está aí pra isso. Os premiados queijos Cruzília estão entre os melhores do Brasil.

Depois de colocar uma galocha e uma touca, o visitante tem a oportunidade de visitar as várias câmaras de maturação e salga dos queijos, sentir as temperaturas e cheiros específicos, ver provolones e emmentais belos e enormes, a mistura e o corte das massas, os fungos se formando no queijo tipo brie e camembert, enfim, o processo completo, a começar pela recepção diária dos 20 mil litros de leite (para quem chegar bem cedo à fábrica).

Diferente da maioria de produtores de queijo, que usam o pasteurizador de placa, a Cruziliense usa um sistema artesanal chamado ejetor de vapor, trazido pelos dinamarqueses. É uma maneira de melhorar a qualidade do queijo preservando a tradição.
O queijeiro e um dos donos da fábrica, Luis Sergio Medeiro de Almeida, explica que o que faz dos queijos da região tão especiais é uma bactéria chamada propiônico. Em Cruzília, a bactéria se reproduz espontaneamente no solo, em grandes quantidades. O gado come essa bactéria, que naturalmente se incorpora ao queijo. Em outras partes do Brasil, o propiônico tem que ser comprado porque não há quantidade suficiente no solo.
Não bastasse essa maravilha, a Cruziliense conta ainda com o conhecimento do Sr. Otacílio, mais conhecido como Sr. Dico, responsável por grande parte dos queijos e pelo fundamental e precioso segredo da receita: o fermento, que eles mesmos produzem. O sábio queijeiro encontra o ponto da massa na intuição. E todos se consideram seguidores do Sr. Dico.
Dentre os 15 tipos de queijos produzidos está á mussarela e sua diversidade. Uma delas é a mussarela rocambole, obra da Cruziliense. O rocambole é recheado com tomate seco ou berinjela, uva passa e ervas finas. E por cima leva zatar e pimentão vermelho.

Para se chegar a Cruzília, deve-se passar por Caxambu e seguir mais um pouco na estrada. A viagem não leva nem meia hora. A pequena Cruzília tem charmosas construções unidas ao largo de ladeiras, que culminam na harmoniosa Igreja Matriz.