Brasil, 05 de Fevereiro de 2012

Coronel Xavier Chaves

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Mapa da Região: 
Coronel Xavier Chave

Um alambique de dois séculos e um simples pudim de leite

Chico Junior
Chico Junior
Imagem do senhor Rubens
Rubens Chaves na frente da roda d’água do seu alambique

Pertinho de Tiradentes (MG) há uma cidade chamada Coronel Xavier Chaves. O tal do Coronel Xavier Chaves era bisneto da irmã de Tiradentes, Antônia Rita da Encarnação Xavier. Na pequena cidade, que fica a cerca de 20 quilômetros de Tiradentes, está o mais antigo engenho de cachaça em atividade no país, o Engenho Boa Vista, que produz a cristalina Século XVIII, de propriedade de Rubens Chaves, por sua vez bisneto do coronel.
O engenho foi construído em 1755 e, desde então, nunca parou de produzir cachaça artesanal de boa qualidade. Diz a história que o alambique funcionava na fazenda do irmão caçula de Tiradentes, padre Domingos da Silva Xavier. Há pouco mais de 20 anos, Rubens Chaves se aposentou e decidiu trocar Belo Horizonte pela região onde nasceu, comprando de um primo o engenho histórico. Resolveu, então, dar continuidade ao negócio da produção de cachaça, no qual a família está envolvida há sete gerações.
“Eu não tenho uma destilaria, tenho um museu que funciona como destilaria”, afirma Rubens. E faz questão de dizer, ainda, que a sua cachaça não é envelhecida em barris de madeira. “Minha cachaça é cristalina, não tem vergonha de ser cachaça”. O envelhecimento se dá nas próprias garrafas, e o visitante pode comprar cachaças engarrafadas há 20 anos. As visitas devem ser marcadas com o próprio Rubens, que costuma fazer uma degustação aos sábados, das 10h às 12h. Importante registrar que, para a produção dos 20 mil litros anuais da Século XVIII, Rubens usa cana orgânica da própria fazenda. A Século XVIII só é vendida no próprio engenho ou na Pousada Sobrado. Fora de Coronel Xavier Chaves é praticamente impossível encontrá-la. Mas ele entrega em várias cidades do Brasil, é só entrar em contato.
Rubens é casado D. Cida Chaves, cozinheira de mão cheia, pesquisadora da comida regional brasileira, principalmente a mineira do século XIX. D. Cida é paulista, mas está em Minas há 50 anos. O visitante pode aproveitar o passeio e se hospedar na Pousada Sobrado, casarão centenário do início do século XX (1902), reformado pelo casal para servir de moradia e hospedagem aos visitantes. São apenas seis quartos finamente decorados, num ambiente que lembra mais um museu do que uma casa. Tudo muito bem cuidado e preservado.
 

A comida de Dona Cida

Chico Junior
Imagem da Dona Cida
Dona Cida, especialista em comida mineira do séc. XIX

O melhor de tudo, porém, é poder deliciar-se com a comida de D. Cida. Ela não cozinha todos os dias, por isso é bom encomendar com antecedência.
Eles me receberam com uma caipirinha feita com um delicioso limão e a puríssima Século XVIII, claro. No almoço, um certo lombo descansado, acompanhado de farofa de taioba, arroz e feijão. Trata-se de um lombinho de porco assado que, depois de pronto, é conservado na gordura, antes de ir para a mesa. A farofa é feita com farinha do milho da fazenda, moído em moinho de pedra, movido a roda d’água. E o feijão também é da fazenda.

Chico Junior
Imagem de uma prato com lombo e farofa.
O lombo descansado de D. Cida

Depois viria a sobremesa, pudim de leite condensado. Poxa, Dona Cida, pensei eu, depois de um almoço desses um pudim de leite condensado. Enlatado? Mas ao botar a primeira colherada na boca vi que estava começando a provar o melhor pudim de leite condensado da minha vida. Quem diria, um simples pudim de leite. O detalhe (e o segredo) é que o leite é condensado lentamente na cozinha da casa, no fogão a lenha, sem açúcar, colocado depois. Vai daí, o sabor é simplesmente dos deuses. Um senhor pudim de leite!

Endereço e telefone
Cachaça Século XVIII / Pousada Sobrado
Praça Eduardo Chaves 99 – Coronel Xavier Chaves. Tel: (32) 3357-1238

 

 

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