Talvez existam mais tipos de doces do que número de esquinas nas cidades de São Lourenço e Caxambu. O tradicional doce de leite puro ou com chocolate, cocada com maracujá, com ameixa, compota de todas as frutas, paçoca, pé-de-moleque, goiabada, ambrosia, chuvisco e muito, muito mais. Cabe a frase feita: uma tentação a cada esquina!
As cidades, famosas por serem parte do Circuito das Águas de Minas Gerais, oferecem mais do que isso. São aqueles lugares onde o sossego está no ar, acariciando seus passeios, presenteando as horas com abundância de minutos, que rendem mais do que os calculados 60. Essa é a sensação, já que dá tempo de ir a todas as atrações, aproveitar os passeios, fazer boas refeições e ainda dar-se ao luxo de ter uma digestão tranqüila.

Comece por escolher um bom hotel. Eles tendem a oferecer pensão completa e organizar passeios para os turistas. Cabe a você escolher o que quer ou não fazer. Mas uma coisa é certa, o seu dia vai começar muito bem, tomando um café da manhã caprichadíssimo, com pelo menos quatro tipos de bolos, geléias de todos os sabores, queijos variados, pães, frutas, sucos e o tradicional pão de queijo, tudo da região.
Reserve um tempo para o Parque das Águas. Tanto São Lourenço quanto Caxambu têm um. São lindos e muito bem cuidados. As preciosas fontes de vários tipos de água mineral ficam espalhadas pelo parque. Durante a caminhada, você as descobre bem a tempo de matar a sede. São águas que vêm diretamente da montanha e têm diferentes gostos: ferruginosa, vichy, gasosa, sulfurosa e alcalina, cada uma com prioridades terapêuticas específicas. Caxambu enche os pulmões para dizer que é o “maior complexo hidromineral do mundo”, com 12 fontes em seu Parque das Águas.
Uma brincadeira interessante pode ser descobrir que tipo de água mata melhor a sede depois de cada doce. Será que a sulfurosa é a mais indicada para beber depois do doce de leite? Ou será a vichy? Uma compota de figo pede uma gasosa? Com um pé-de-moleque, nada melhor que uma ferruginosa! Será? E para os que querem se aprofundar no relaxamento há um balneário, com banhos especiais, massagens e sauna. Valendo-se ou não desses cuidados, você sai revigorado do parque.
Para adocicar a vida ainda mais, vá às fábricas das delícias. Existem muitas, para todos os tipos de gostos e interesses.
Fundada em 1983 como uma fábrica bem artesanal, a Doces São Lourenço começou fazendo os produtos mais procurados da época: doce de leite e goiabada. As receitas eram copiadas das mulheres que faziam os doces de forma tradicional. Hoje, além da grande variedade de doces, de artesanal ela não tem nada.
A Doces São Lourenço virou uma das maiores fábricas da região. Para aqueles que têm um interesse no processo industrial, é ideal de visitar. Você vê de pertinho a enorme caldeira, os tachos cozinhando as frutas, o padronizador de leite, o processo de embalagem e o laboratório, onde são feitos os testes de controle de qualidade.

A São Lourenço foi a primeira a lançar no mercado a versão diet do doce de leite e, hoje, 90% das vendas são de produtos diet. Mas na loja, que fica junto à fábrica, é possível comprar todos os tipos de doces, dietéticos, light e tradicional.

Seguindo para o outro extremo, 100% artesanais são as coloridas frutas cristalizadas feitas pelo casal Carlos Sérgio e Ana Lucia Diniz. São tão caseiras que a Doces Diniz fica no quintal da casa. Os doces têm um ponto perfeito, a casquinha de fora é crocante e a calda com a fruta fazem o recheio ficar molhadinho. Eles têm a consistência certa para comer com a mão.

Sérgio conta que cada fruta tem um processo, mas todos os doces demoram três dias para ficarem prontos. O doce de abóbora e mamão verde, por exemplo, precisa de água de cal virgem para criar a casquinha de fora. Já o de figo e o de laranja têm um procedimento um pouco mais simples. Cozinha-se a fruta até dar o ponto e depois é passar o doce no açúcar e se deliciar. Quem quiser saber mais é muito bem-vindo na Doces Diniz.
Para os adeptos da uma alimentação saudável, a melhor receita é a dos doces Sabor da Roça. São todos integrais, produzidos com açúcar mascavo, malte e cereais. Delfim Manoel da Silva, dono da fábrica, orgulha-se de sua paçoca integral. Ele conta que fez muitos testes até chegar à consistência e ao sabor ideais. É a campeã de vendas. As embalagens são pequenas, então, deve-se experimentar sem cerimônia as cocadas de vários tipos e o simbólico pé-de-moleque também.
A fábrica, que fica no Sítio Primavera, tem janelas de formato arabesco, inspiradas no Taj Mahal, e paredes coloridas. É um ambiente alegre e descontraído, assim como Delfim. Ele é vegetariano há 28 anos e leva uma vida, digamos assim, hippie. Seus três filhos - Selva, Oceano e Branda Luz - ajudam na administração e pode-se dizer que os doces são uma continuidade da filosofia de vida da família.
A fábrica é pequena, tem oito funcionários e fica um pouco afastada da cidade, há uns 15 minutos de São Lourenço. Não é difícil chegar, mas é bom ligar antes de ir para pedir as indicações do caminho, porque não há sinalizações na estrada.
Saindo de São Lourenço, na estrada de Caxambu, você encontra mais uma grande e importante fábrica: a Dutacho, com mais de 200 tipos de doces. A especialidade é a cocada com maracujá. Mas não se atenha a isso, escolha a sua. Entre os doces requintados estão o chuvisco e a ambrosia. Há ainda os doces em potes de vidro e toda uma linha de balas de leite. É produção em grande escala. A Dutacho está na boca do povo, literalmente. É uma das marcas preferidas e mais recomendadas.