Brasil, 31 de Julho de 2010

Belo Horizonte

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Mapa da Região: 
Belo Horizonte

A cidade dos botecos

Mineiro não tem praia, mas em compensação tem bar, brincam os próprios mineiros de BH. São muitos e, tradicionais, fazem parte da paisagem e da história da cidade. Há sempre um chopinho gelado, ou uma cerveja, ou a cachacinha que não pode faltar, e os inúmeros tira-gostos, alguns verdadeiras refeições. Se já eram famosos e importantes para a cultura da capital Belo Horizonte, ficaram mais ainda depois do advento do Comida di Buteco, evento que este ano chegou à sua 9ª edição na capital mineira (com participação de 99 estabelecimentos). O festival já premia os melhores tira-gostos e botecos de capitais como Rio de Janeiro e Salvador, além de cidades mineiras, entre as quais, Diamantina, Ipatinga, Poços de Caldas e Uberaba. A idéia surgiu em 1999, quando o gastrônomo Eduardo Maya, que apresentava o programa Momento Gourmet, na Rádio Geraes, uniu-se à publicitária Maria Eulália Araújo para criar um evento que valorizasse a cultura da comida de boteco. “Isso fez com que crescesse a criatividade, a qualidade e a diversidade das comidas dos bares de Belo Horizonte”, atesta Maria Eulália. Hoje, é um sucesso.
 

Mercado Central 

Chico Junior
Imagem de uma bancada no mercado com vários queijos.
Queijos da Serra da Canastra

E nada melhor, então, do que juntar duas atrações gastronômicas de Belo Horizonte: um boteco e o Mercado Central. O boteco em questão é o Casa Cheia, um dos mais premiados do Comida di Buteco, localizado em um dos mais tradicionais pontos de encontro dos mineiros, o Mercado Central. Inaugurado em 1929, o mercado fica na região central da cidade e emprega 2.400 pessoas diretamente e mais 15 mil colaboradores informais, nas mais de 400 lojas que vendem de tudo: frutas, legumes, produtos regionais, queijos das mais diversas procedências, incluindo os do Serro e da Serra da Canastra, doces, lingüiças, carnes, peixes, cachaças, artesanato, panelas de ferro, de pedra-sabão, de barro, de cobre, pimentas, a carne de sol de Montes Claros, as carnes defumadas de Formiga, ervas e raízes medicinais. Mais do que uma feira, é um espaço de convívio social, que conta também com um auditório para 90 pessoas.

Chico Junior

Imagem de muitas costelinhas penduras no mercado.

Na banca do Ronaldo, por exemplo, visitante encontra um bom papo, muita informação sobre o que está à venda e, como o dono diz, “só produtos mineiros”. Ronaldo, um ex-contador de 61 anos, que conta com o apoio do filho Ronaldinho, dá aulas sobre cada um dos produtos que vende: cachaças, queijos, doces provenientes das diversas regiões de Minas. Dentre as especialidades, doces (bananada, marmelada, goiabada, laranja) em caixinha de madeira de São Gonçalo do Pará e geléia de mocotó de Pará de Minas. Sobre cachaças, além da famosa e cara Anísio Santiago (R$ 180), ele indica duas: Piragibana (R$ 135), considerada dentre as melhores do Brasil, e Canarinha (R$ 45). Ele tem também estoque das sofisticadas Havana, que saem por R$ 450, cada garrafa.

Chico Junior
Imagem do Ronaldo em frente a sua bancada no mercado.
Ronaldo: cachaças, queijos, doces; tudo de Minas
 

Casa Cheia
 

No mercado há alguns botecos, dentre eles o Casa Cheia, que faz jus ao nome. Ali, Maria Nazareth, auxiliada pelo filho Ilmar Antônio de Jesus, recebe os clientes com delícias como o porconobis de sabugosa (costelinha de porco, lingüiça calabresa, milho verde cozido, ora-pro-nóbis e especiarias), a costela de Adão (costelinha, lingüiça defumada e mandioca ao molho com jiló e taioba ao alho), o feijão mexicano (feijão carioca, charque, lingüiça calabresa, lingüiça defumada, carne bovina, bacon, tudo temperado com ervas e acompanhado de folha de mostarda refogada no alho) e o tira-gosto vencedor do concurso de 2005, mineirinho valente. O prato, criação de Ilmar e um dos mais procurados do lugar, é feito com canjiquinha, cebola, alho e pimentão vermelho picados, cubos de aipo, caldo de costela, manteiga, azeite, curry, pimenta biquinho, espinafre picado, cheiro-verde, queijo minas meia cura ralado grosso, pimenta do reino, cubos de lombo defumado, lingüiça caseira e costelinha de porco desossada picada em cubos, temperada com vinho branco.

Divulgação
Imagem de 3 panelas de barro com mineirinho.
O mineirinho valente do Casa Cheia  

O Casa Cheia serve, também, os tradicionais pratos da culinária mineira e dois pratos muito especiais e de muito sucesso: a vaca atolada (costela de boi cozida com mandioca, arroz, feijão) e as sublimes iscas de fígado, aceboladas ou com jiló e cebola. O grande segredo das iscas é colocar os pequenos cortes de fígado bovino temperados em alho e sal para fritar na chapa bem quente.
 

Botecos
 

Muitos são os botecos de BH, mas vale a pena visitar, pelo menos, os que já foram premiados (veja relação abixo). Duas sugestões que devem ser conferidas: a língua de boi ao molho, do Bar do Careca, feita e servida em panela de pedra-sabão, e a maçã de peito da Mercearia Lili. A maçã, no caso, é uma parte do peito do boi, cozida durante horas e depois grelhada. A Mercearia Lili, que existe há 59 anos, além de contabilizar mais de 90 tira-gostos é famosa pelos seus caldos, mais de 25.

Um outro autêntico representante dos botecos da cidade, é o Bar do Antônio, que em novembro comemora 44 anos de existência. Ambiente simples, o cardápio do Bar do Antônio dispõe de comidas de botequim de alta qualidade (moela, pernil, lingüiça) e pratos mais elaborados, como o cozido e o boi doido (carnes desfiada com azeitonas e alcaparras)
 

Botecos premiados 2008

Divulgação
Imagem do apetitoso prato com almôndegas, batatas e azeitonas.
O rola bola do Bar da Cida, vencedor do Comida di Buteco de 2008 
1º lugar: Bar da Cida: Rola Bola no Bar da Cida (almôndegas ao molho da casa com batatas acompanhada de pãozinho pra moiá)

2º lugar: Bar do Zezé: Rabo Apertado (virado de jiló, rabinho de porco e lombo)

3º lugar: Agosto Butiquim: Pecado Original (conserva de lagarto temperado e desfiado com petisco de maçã condimentada)

4º lugar: Casa Cheia: Almôndegas Exóticas (almôndegas de carne-de-sol recheada com queijo ao creme de abóbora com manjericão)

5º lugar: Bar do Véio: Chick-eirinho (caracol de carne de porco recheado com presunto e queijo coalho, batata corada, molho de ervas com azeite e molho de goiaba)

 

Xapuri

Chico Junior
Imagem do fogão a lenha com linguiças penduradas.
O fogão a lenha do Xapuri

Há dezenas de restaurantes e bares de comida mineira em Belo Horizonte, é claro. Desde o tradicional Dona Lucinha, referência pelo preparo artesanal, até o Xapuri, de Nelsa Trombino, eleito pela revista Veja, o melhor restaurante de Belo Horizonte, por 11 vezes consecutivas. O espaço é uma verdadeira atração turística.

Nelsa é paulista de Cubatão e foi para Belo Horizonte com 23 anos. Era gerente de uma academia de ginástica e vendia queijos, bolos, doces e biscoitos, até que, juntando com o dinheiro do marido, conseguiu comprar um terreno na Pampulha onde construíram uma casa com fogão a lenha na cozinha. Nos fins-de-semana, os amigos iam lá apreciar os pratos de Nelsa. O resultado não poderia ser outro: o casal comprou o terreno ao lado e, em agosto de 1988, inaugurou o Xapuri, bem pequenininho. Foi crescendo, crescendo, sem nunca deixar de lado a qualidade, e hoje pode receber até 600 pessoas ao mesmo tempo. O Xapuri cresceu tanto que, atualmente, conta com um espaço que dispõe de aulas de equitação, passeios de charrete, pônei e cavalo, além de exposição permanente de animais de pequeno porte. Há também uma loja de artesanato, onde se encontram os mais variados estilos de trabalhos manuais mineiros, que podem ser entregues em qualquer lugar do Brasil.

Vale a pena, enquanto se espera o almoço e degusta-se uma autêntica cachacinha mineira, visitar e conhecer as dependências do restaurante, a plantação de ora-pro-nóbis e a produção dos doces que são servidos na sobremesa e que estão à venda na lojinha do Xapuri (destaque para a cocada de maracujá e doce de leite).

Chico Junior
Imagem de uma mesa com os doces em cima .
Doces do Xapuri são vendidos na lojinha do restaurante 

Os pratos do Xapuri são irresistíveis, a começar pela lingüiça caseira (feita lá mesmo) frita na chapa com cebola e pimentão e bolinho de mandioca. São cerca de 150 pratos para você escolher, como o lombo assado com batatas, o tutu com quiabo e um delicioso carré de porco ao melaço, com taioba e purê de mandioca servido dentro de uma abobrinha.

Os doces, mais de 30 tipos, são um capítulo à parte: carambola, pé-de-moleque, doce de leite em pedaços, bananada em pasta, cocada mole. Depois, cafezinho com broa de milho e queijo canastra. Há redes espalhadas para o merecido descanso.

 
Endereços e telefones
Agosto Butiquim
Rua Esmeralda, 298 – Prado –Tel: (31) 3337-6825
Bar da Cida
Rua Numa Nogueira, 287 – Floramar – Tel.: (31) 3434-8715
Banca do Ronaldo
Mercado Central, loja 34. Tel: (31) 3274-9611
Bar do Antônio
Rua Flórida 15 – Sion. Tel: (31) 3221-2099
Bar do Careca
Rua Simão Tamm, 395 – Cachoeirinha. Tel: (31) 3421-3655
Bar do Véio
Rua Itaguaí, 406 – Caiçara – Tel.: (31) 3415-8455
Bar do Zezé
Rua Pinheiro Chagas, 406 - Barreiro de Baixo. Tel: (31) 3384-2444
Casa Cheia
Mercado Central, loja 167 – Centro. Tel: (31) 3274-9585
Dona Lucinha
Rua Pe. Odorico 38 – São Pedro. Tel: (31) 3227-0562. www.donalucinha.com.br. donalucinha@donalucinha.com.br
Mercado Central
Av. Augusto de Lima 744 – Centro. Tel: (31) 3274-9434. www.mercadocentral.com.br
Mercearia Lili
Rua São João Evangelista, 696 - Santo Antônio. Tel: (31) 3296-1951
Xapuri
Rua Mandacaru 260 – Pampulha. Tel: (31) 3496-6198. xapuri@uai.com.br
Comida di Buteco
www.comidadibuteco.com.br
 

 

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