Brasil, 31 de Julho de 2010

Macapá

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Macapá

Flora e outros sabores

Vamos provar um pitu fresquinho, grande, saboroso? Então vamos ao município de Santana, cerca de 15 quilômetros do centro de Macapá, mais especificamente ao Restaurante da Flora, à beira do Igarapé da Fortaleza, um braço do Amazonas. Nos fins de semana o restaurante reúne as famílias de Macapá e Santana. “O Sarney (sim, o senador) adora a caldeirada de filhote”, diz Flora. “Já a D. Marly prefere o pirarucu desfiado com batata”. De entrada, ambos pedem iscas de pirarucu. Peça também. A própria Flora salga o pirarucu. “Fica mais saboroso”, diz.

Chico Junior
Imagem de uma mesa posta com ensopado e ao fundo um rio.
Pitu ao bafo (à esquerda) e pitu ensopado com filhote

A fama da comida boa atrai a visita de artistas, músicos locais, políticos e pessoas comuns interessadas em provar o tempero da Flora.  Que faz questão de manter um cardápio diferenciado e cheio de novidades, que inclui peixes, frutas e frutos típicos da região.

Bem, voltemos ao pitu. Na Flora se come o pitu ao gosto do freguês, mas, para não complicar muito, peça-o ao bafo, ou ao leite de coco. Como entrada, é claro. Já como prato principal, siga a sugestão da Flora e aceite de bom grado o filhote ensopado com pitu (olha ele aí de novo), ao leite de castanha. Outras sugestões? Vamos lá: camarão regional ao bafo, camarão com molho de taperebá, caldeirada mista (peixe, camarão regional e pitu) e qualquer peixe (filhote, dourada, pirapitinga, tambaqui) de qualquer maneira. Destaque para o pirarucu com frutas energéticas da floresta (tapioquinha com pirarucu desfiado, acompanhado por um creme de castanha do Brasil). O tucunaré grelhado na manteiga também está entre os mais pedidos. Seu peixe é sempre fresco; compra diariamente, direto nos barcos que chegam pela manhã no porto de Santana. Como sobremesa, não pense duas vezes: creme de açaí com farinha de tapioca.

Imagem de um prato de açaí com farinha de tapioca.
Açaí com farinha de tapioca

Flora é de Santana mesmo, tem 42 anos, é baixinha e de uma energia que só ela. Tem 10 filhas, cinco adotadas. Vendia peixe assado e camarão em uma banca montada no meio da rua que dá no Igarapé da Fortaleza. Fez tanto sucesso que a barraca ficou pequena. Há cinco anos abriu um restaurante pequeno no local onde construiu o atual. Seu restaurante é simples e agradável. Enquanto almoça, o visitante tem aos seus olhos o ambiente do igarapé, com suas famílias ribeirinhas, barcos passando e crianças se divertindo em cima de frágeis canoas, galinhas soltas, gritos das araras.

Imagem de uma moça, a Flora, em frente a uma mesa no restaurante.
Flora começou vendendo peixe assado na rua

Em busca do Pitu

E de onde vem este tão afamado pitu? Vamos, então, atrás dele. Como não existe um esquema de passeio turístico para se chegar até a Ilha Rasa, onde famílias de pescadores armam as armadilhas para capturar o pitu, combina-se o passeio com o Chiquinho, marido da Flora, que transporta até quatro pessoas em sua lancha, ao preço total de R$ 150, para um passeio até a Ilha Rasa com a duração de cerca de duas horas (ida e volta). Lá você vai ver de perto como os pitus são atraídos para os matapis, as armadilhas em cujo interior são colocados frutos do babaçu, que os pitus adoram. Depois, é só tirar e levar para vender. É um passeio lindo, mas há que se acordar cedo, pois a saída do igarapé da Fortaleza tem que ser, no máximo, às sete da manhã.

Imagem de uma moça segurando um pitu.
O pitu do Rio Amazonas pode chegar a 30 centímetros

As peixarias

Outra característica da gastronomia local são as peixarias, barracas ou restaurantes simples que vendem peixe assado. Existem várias, principalmente em Santana. Bem ao lado do Restaurante da Flora se localiza uma delas, a Peixaria Fortaleza, do Seu Manoel e sua família. Na frente do restaurante, uma churrasqueira, brasas e, na grelha, uma visão das mais belas: tucunarés, curumatãs, matrinxãs, pirapitingas, tambaquis, pacus, tempero simples para não agredir muito o sabor do peixe, fresquíssimo. “Aqui na Fortaleza se faz o melhor peixe na brasa de Macapá, porque é fresco e simples no tempero”, informa Seu Manoel. E muito barato. Uma refeição para três pessoas sai por R$ 25.

Imagem do Sr Manoel fazendo os peixes na brasa.
Manoel e seus peixes na brasa: fresquíssimos e saborosos

A doce mão do Simão

Já se disse e repete-se: a variedade e os sabores das frutas do Norte são tantas e tantos que há o que se fazer com tamanha diversidade. Comê-las ao natural, fabricar doces, geléias, licores. E sorvetes, é claro. Desde pequeno o empresário Simão Cardoso convive com sorvetes, pois durante anos trabalhou com o pai na sorveteria da família até virar bancário. Cansou da vida do banco e resolveu voltar aos sorvetes. Só que, dessa vez, iria tocar o seu negócio dando ênfase à cultura gastronômica regional, usando todo o potencial das frutas exóticas da Amazônia. Procurou o Sebrae do Amapá, que o assessorou na montagem do negócio, fez um curso de sorveteiro e passou a pesquisar as frutas da região. Hoje, a Doce Mão, fundada em 1997, é uma das sorveterias mais famosas de Macapá, mesmo não ficando no centro da cidade.

Imagem do Simão com sovertes em uma bandeja.
Simão e seus sorvetes

Simão montou um esquema de distribuição e já entrega, por via aérea, para várias cidades do Nordeste, além de Brasília, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro. Os pedidos podem ser feitos por telefone.
Além de valorizar a cultura gastronômica local, Simão procurou trabalhar diretamente com algumas comunidades, que passaram a lhe fornecer diretamente as matérias primas (as frutas e frutos) dos seus sorvetes. Com isso, além de valorizar a cultura local junto à comunidade, gerava renda. O tucumã e o mucujá, ele compra diretamente de famílias de Maruanum. No mercado de frutas da cidade tem fornecedores fixos, também provenientes de comunidades do interior, de castanha, mangaba e inajá. Além desses sabores, há ainda os sorvetes de açaí, cupuaçu, milho, bacuri, muruci, goiaba e coco e suas variações - queimado, com chocolate e frutas feitos a partir da mesma linha de produção da cocada. “Mas o que mais sai é o de tapioca”, diz ele.

Imagem de uma mesa com uma bandeja de sorvetes e uma frutas ao lado.

Em Macapá há, ainda, outra sorveteria que usa as frutas regionais em seus sorvetes, a Jesus de Nazaré. Vale uma visita.

Endereços e telefones
Peixaria Fortaleza
Rodovia JK, Igarapé da Fortaleza. Tel: (96) 283-3467 (96) 3283-3467

Flora Restaurante
Rodovia JK, Igarapé da Fortaleza. Tel: (96) 283-2858 (96) 3283-2858

Sorveteria Doce Mão
Av. Maranhão 219 – Pacoval. Tel: (96) 23-3559 (96) 3223-3559

Sorveteria Jesus de Nazaré
R. Leopoldo Machado 737 – Jesus de Nazaré. Tel: (96) 223-2650 (96) 3223-2650
 

 

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