Brasil, 31 de Julho de 2010

Nísia Floresta

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Mapa da Região: 
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Camarões nos trilhos

A cerca de 35 quilômetros de Natal, uma estação ferroviária desativada, construída pelos ingleses em 1881, desperta a curiosidade de quem passa em Nísia Floresta. Toda restaurada, a velha estação abriga hoje o charmoso restaurante Marina’s Camarões. Como não poderia deixar de ser, a especialidade da casa é o camarão. A cidade é conhecida como a “capital do camarão” do Rio Grande do Norte, pela grande concentração de criatórios na região. A Estação Ferroviária de Papary, antigo nome da cidade, foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1984. Nos trilhos, já desativados, mesas foram adaptadas como se fossem vagões e despertam simpatia nos turistas, principalmente os estrangeiros, em grande número na região.

Marinas
Mesas e cadeiras ocupam a antiga estação ferroviária construída pelos ingleses em 1881

Como entrada pode-se pedir pastel (de camarão, é claro), vatapá com torradas e bolinhos de macaxeira fritos. Os pratos principais deixam qualquer pessoa com dúvidas. São muitas as opções, como o camarão do Forte, grelhado, com abacaxi na chapa e arroz; o camarão à parmegiana, camarão à milanesa sobre espaguete com molho de tomate e queijo ou o camarão Papary, servido com nhoque de batata ou de macaxeira. Todos os pratos são acompanhados de batata, macaxeira, feijão verde e purê de macaxeira. De sobremesa, não pense duas vezes: doce de caju.

Para abrir os serviços, peça uma cachacinha, preferencialmente a Papary, orgulho e fabricação local.

Camaroes
O camarão está presente em quase todos os pratos da culinária local

Onde há rede, há renda

Na comunidade de Campo de Santana, localizada no município de Nísia Floresta, rendeiras se dedicam à técnica do labirinto, um híbrido entre o bordado e a renda. O conhecimento é repassado de maneira informal pela família. Com o intuito de preservar estas técnicas e a economia local, foi criada em 2000 a Associação de Rendeiras de Campo Santana.

Outra técnica utilizada na confecção das peças é o salpico de cana, recentemente resgatado e repassado para outras rendeiras por Marluce Cavalcanti da Silva. O labirinto e o salpico de cana são aplicados muitas vezes na mesma peça, criando um conjunto harmonioso nas rendas. Jogos americanos, toalhas de mesa e guardanapos são feitos com tecidos mais finos ou com algodão rústico. Uma toalha de mesa leva de dois a três meses para ser feita.

As rendeiras utilizam uma espécie de moldura de madeira, feitas por elas próprias ou por seus maridos, chamada de “grade”. No alpendre da sede da associação as mulheres sentam com suas grades, e contando histórias trabalham sem perceber o tempo passar.

Rendeiras
Rendeiras de Nísea Floresta mantêm viva a técnica do labirinto através do apoio da Associação de Campo Santana

Campo de Santana é uma vila de pescadores e a atividade artesanal sempre esteve associada à pesca e à cestaria também. Os homens do povoado desenvolveram habilidades para produção de armadilhas para a pesca do camarão e de peixes feitas de palha ou fibras. São cestos feitos de cipó ou palha de coqueiro, utilizados para colheita das frutas; o covo, armadilha para pegar camarão, feita a partir das ripas do dendê; e o samburá, espécie de cesto para guardar peixe e esteiras.  Apesar de não estarem reunidos em uma associação, alguns já recebem encomendas por intermédio das rendeiras.

Endereços e telefones
Marina’s Camarões
Estação de Papary - Nísia Floresta. Tel: (84) 9997-7720 e 9926-8134

Associação das Labirinteiras de Campo de Santana
Contato: Cida Cavalcante da Silva. Tel: (84) 967-8824 ou 277-8087

 

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