Localizada a 72 quilômetros ao sul de Natal, no vilarejo Barra de Cunhaú, município de Canguaretama, a Fazenda Sonho Meu, de Lenildo e Ivani Alves do Nascimento, é uma fazenda diferente: não há plantações ou gado, apenas grandes viveiros com água do mar; é uma das cerca de 500 médias e pequenas fazendas de camarão em cativeiro do Rio Grande do Norte. A carcinocultura é responsável por mais de 20 mil empregos diretos e elevou o camarão ao posto de primeiro produto na pauta de exportações do estado.

A fazenda recebe a visita de turistas desde 2001. Os viveiros podem ser visitados na propriedade, cercada por matas e à beira de um rio que em poucos metros encontra o mar. Durante o passeio pode-se observar todo o processo de produção dos camarões, desde a larva ao animal adulto. Os funcionários da fazenda atiram tarrafas nos viveiros e em poucos segundos as redes estão repletas de camarões. Estes, com destino traçado, a cozinha do restaurante da fazenda, comandado pessoalmente por Dona Ivani.

Camarão com creme de leite, milho verde e ervilha; camarão flambado no uísque; camarão ao alho e óleo ou camarão à milanesa. Estas são apenas algumas das formas que o crustáceo é servido e todas eles vêm com farto acompanhamentos, como feijão verde, farofa, molho vinagrete, macaxeira, batata frita e salada. Peixes e ostras também são criados, preparados e servidos no restaurante.
A cerca de 35 quilômetros de Natal, uma estação ferroviária desativada, construída pelos ingleses em 1881, desperta a curiosidade de quem passa em Nísea Floresta. Toda restaurada, a estação abriga hoje o restaurante Marina’s Camarões. Como não poderia deixar de ser, a especialidade da casa é o camarão. A cidade é conhecida como a “capital do camarão” do Rio Grande do Norte, pela grande concentração de criatórios na região. A Estação Ferroviária de Papary, antigo nome da cidade, foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1984. Nos trilhos, já desativados, mesas foram adaptadas como se fossem vagões e despertam simpatia nos turistas, principalmente os estrangeiros, em grande número na região.

Como entrada pode-se pedir vatapá com torradas e bolinhos de macaxeira fritos. Os pratos principais deixam qualquer pessoa com dúvidas. São muitas as opções, como camarão à parmegiana, camarão à milanesa sobre espaguete com molho de tomate e queijo ou o camarão Papary, servido com nhoque de batata ou de macaxeira. Todos os pratos são acompanhados de batata, macaxeira, feijão verde e purê de macaxeira.

Na comunidade de Campo de Santana, localizada no município de Nísea Floresta, rendeiras se dedicam à técnica do labirinto, um híbrido entre o bordado e a renda. O conhecimento é repassado de maneira informal pela família. Com o intuito de preservar estas técnicas e a economia local, foi criada em 2000 a Associação de Rendeiras de Campo Santana.
Outra técnica utilizada na confecção das peças é o salpico de cana, recentemente resgatado e repassado para outras rendeiras por Marluce Cavalcanti da Silva. O labirinto e o salpico de cana são aplicados muitas vezes na mesma peça, criando um conjunto harmonioso nas rendas. Jogos americanos, toalhas de mesa e guardanapos são feitos com tecidos mais finos ou com algodão rústico. Uma toalha de mesa leva de dois a três meses para ser feita.
As rendeiras utilizam uma espécie de moldura de madeira, feitas por elas próprias ou por seus maridos, chamada de “grade”. No alpendre da sede da associação as mulheres sentam com suas grades, e contando histórias trabalham sem perceber o tempo passar.

Campo de Santana é uma vila de pescadores e a atividade artesanal sempre esteve associada à pesca e à cestaria também. Os homens do povoado desenvolveram habilidades para produção de armadilhas para a pesca do camarão e de peixes feitas de palha ou fibras. São cestos feitos de cipó ou palha de coqueiro, utilizados para colheita das frutas; o covo, armadilha para pegar camarão, feita a partir das ripas do dendê; e o samburá, espécie de cesto para guardar peixe e esteiras. Apesar de não estarem reunidos em uma associação, alguns já recebem encomendas por intermédio das rendeiras.