Brasil, 05 de Fevereiro de 2012

Chapada Diamantina

Tamanho da letra
botao diminuir fonte botao aumentar fonte

Mapa da Região: 
Chapada Diamantina

As aventuras e os sabores de Lençóis

Chico Junior
Exuberante imagem do morro do pai Inácio
O Morro do Pai Inácio e a exuberância da Chapada

A Chapada Diamantina é um lugar mágico, graças à sua diversidade geográfica: sertão, caatinga, montanhas enormes e água, muita água, águas claras, límpidas, deliciosas.
Considerada porta de entrada da Chapada Diamantina, a pequenina e linda cidade de Lençóis, nasceu em meados do século XIX em meio à febre da mineração. Foi um grande centro minerador de diamante, pedra que deu nome à região, e chegou a ser a terceira cidade mais importante da Bahia. Tem cerca de nove mil moradores e conta com uma boa infra-estrutura turística, com aeroporto, bons hotéis e pousadas, restaurantes e agências especializadas nos diversos tipos de passeio. Hoje, vive do turismo.

Imagem da principal praçal da cidade de Lençóis
Praça principal da cidade de Lençóis

Quem chega em Lençóis, em pleno sertão da Bahia, pode até não acreditar que vai encontrar todas aquelas belezas que os guias turísticos e folhetos mostram aos futuros visitantes. Mas, é claro, vai encontrar. Só que tem um pequeno detalhe, que não chega a ser um problema: há que se caminhar. Não há como chegar em quaisquer das belezas naturais da Chapada – e não são poucas - sem uma boa caminhada. Anda-se sempre. Pouco ou muito, há para todos os gostos. Mesmo para as atrações mais próximas, como a magnífica descida do Rio Lençóis sobre as pedras, bem ao lado da cidade, anda-se, saindo da praça principal, cerca de meia hora. Partindo dali, das pedras do Rio Lençóis, na direção das areias coloridas - formações rochosas que, através dos milênios, vêm se transformando em areia de diversas cores, anda-se mais uns 20 minutos. E, continuando, atravessa-se o leito do Rio Lençóis e chega-se à Cachoeirinha, o que significa mais uns 20 minutos. Some-se a isso mais 20 minutos para a volta, depois de um banho de cachoeira, é claro, utilizando-se um caminho mais curto, por trás das formações rochosas.

Imagem de um rio na formação das pedras de lençóis
Rio Lençóis

Rio Pratinha

Imagem de um bunito e extenso rio de lençóis
As águas claras e gostosas do Rio Pratinha

Bem, para falar a verdade, nem se anda tanto para chegar ao Rio Pratinha e à gruta do mesmo nome, por onde adentra-se o rio, numa paisagem deslumbrante. Chega-se ao Rio Pratinha de carro (ou de van, dentro dos inúmeros passeios oferecidos pelas agências de turismo locais), depois de cerca de meia hora de viagem. Aí, é só descer um pequeno morro, coisa de cinco minutos, para se chegar ao rio. Uma coisa interessante nessa viagem até o Pratinha é que, saindo do asfalto, pega-se uma estrada de terra e atravessa-se Santa Rita de Cássia, já no município de Iraquara, um autêntico povoado do sertão nordestino, muito pobre, em plena caatinga. Mas como a caatinga também tem seus paraísos, chega-se ao Rio Pratinha, de águas puras e cristalinas.

Ali não se anda, mas nada-se. E quem opta por fazer a flutuação na Gruta Pratinha, vai ficar batendo perna (com pé de pato, tudo bem) por meia hora. São 70 metros gruta adentro. De repente, você olha para trás e não vê mais a luz no início do túnel, quer dizer, no início da gruta. Mas fique tranqüilo, ou tranqüila, pois você está acompanhado de um guia, veste colete salva-vidas, está de máscara, respirador e uma providencial lanterna à prova d’água. Mesmo assim dá um certo medo.

Imagem da entra de uma gruta do rio Pratinha
Entrada da Gruta do Rio Pratinha

Passeios e caminhadas são o que não faltam na Chapada. Vai gente do mundo inteiro, e do Brasil todo, só para isso, para se surpreender com as paisagens e com a quantidade de água – rios, poços e cascatas – em pleno sertão. Os guias e agências locais estão capacitados e estruturados para lhe oferecer desde a caminhada mais tranqüila até a mais radical, de 67 quilômetros, até Andaraí, passando pelo Vale do Pati.

Imagem de uma mini cascata, mais com muita água
Água, muita água, característica da Chapada

Dura quatro ou cinco dias pelas matas, rios e cachoeiras, acampando em locais já previamente selecionados pelos guias. Isso sem contar o rapell nas cachoeiras e o mergulho subterrâneo (com equipamento apropriado), que começa na parte mais profunda da Gruta Pratinha e termina na Gruta Azul.
Anda-se pouco também para chegar ao Rio Mucugezinho, embora tenha que enfrentar, na volta, a subida de um pequeno morro. E por aí acaba a moleza. O resto é andar mesmo. Por exemplo, um dos principais passeios a um dos lugares mais bonitos próximos à cidade é o Ribeirão do Meio, que se atinge depois de uma caminhada de 45 minutos, partindo-se do centro de Lençóis.

Linda imagem de uma praia deserta
As praias dos rios da Chapada são sempre convidativas e, muitas vezes, desertas

Ai, que fome

Imagem de uma farta mesa com comidas tipicas do nordeste
Mesa farta no Neco’s Bar: cordeiro, galinha ao molho pardo, godó de banana, cortado de palma, pirão de árida. Um banquete.

 

Bem, depois de tanto andar, nadar, mergulhar e quem sabe lá o que mais, dá uma fome danada, mesmo depois de devorar o lanche que você levou para o passeio. É hora então, de provar as delícias da comida de garimpo.

Os garimpeiros tinham lá uma comida de subsistência, feita com que se encontrava no lugar. Com o passar dos tempos, algumas pessoas, quase sempre descendentes dos antigos garimpeiros, foram se preocupando em manter a cultura gastronômica da cozinha do garimpo, representada hoje em dia, basicamente, pelos seguintes pratos: godó de banana, pirão de parida, cortado de palma, cortado de mamão verde, arroz de garimpeiro. Isso sem falar na batata da serra, um capítulo à parte.

Duas dessas pessoas são o casal Neco – seu Nequinho, para os íntimos -, e Raquel, donos do Neco’s Bar, o único restaurante de cozinha regional de Lençóis que aceita encomendas, cujos donos se preocupam em manter a cultura gastronômica da comida de garimpo. O restaurante é simples, mas cheio de charme, já que está instalado em uma das inúmeras casas centenárias que ainda sobraram da época do garimpo. Fica na Praça Clarim Pacheco, bem pertinho da praça principal da cidade. Há mais de 20 anos na ativa, é passagem obrigatória de todos que visitam Lençóis.

Imagem de um casal de idosos sentados na escadinha da casa
Seu Nequinho e dona Raquel: preservando a comida de garimpo

Nativo da região, da cidade de Andaraí, seu Nequinho é descendente de garimpeiro e aprendeu a cozinhar, como ele próprio diz, “com o pessoal da roça e do garimpo”. Nas refeições, peça o suco de mangada para acompanhar. A fruta é nativa e abundante na região, além de dar um delicioso suco.

Como aperitivo, seu Nequinho fornece a cachaça Abaíra, considerada uma das melhores do Brasil, produzida artesanalmente ali perto, na localidade de mesmo nome. Na região ainda são produzidas as seguintes cachaças artesanais, com apoio e supervisão do Sebrae: Serra das Almas, em Rio de Contas; Portal da Chapada, em Livramento; e Cabeceira do Rio, em Utinga.

Na farta refeição do Neco’s bar o visitante pode saborear ainda, caso queira, um carneiro guisado e o tucunaré – peixe abundante na região - frito ou ensopado.

Batata da serra

Imagem de uma deliciosa batata da serra prato típico da Chapada da Diamantina
A batata da serra

A batata da serra (Ipomea convolvilacea) é um tipo de tubérculo que cresce em ramas enterradas no solo e junto às pedras. Ao que tudo indica, só se desenvolve naquela região e não é cultivada, apenas colhida. Os responsáveis pelo fornecimento do produto aos restaurantes da cidade são os poucos remanescentes de garimpeiros, que, autorizados pelo Ibama, ainda insistem em fazer garimpo manual de diamantes nos rios da região. De vez em quando, e muito de vez em quando, acham lá um diamantezinho e faturam uns trocados.

Com a ajuda de um guia local e de um garimpeiro é possível fazer uma caminhada de, no mínimo, uma hora e meia, para se chegar à zona de “produção” da batata da serra e ver in loco como ela se desenvolve. Um belo passeio.

A batata, que pode chegar a pesar até sete quilos, é comida crua, em saladas, e até como sobremesa, acompanhando o doce de banana feito na região e servido do Neco’s Bar. É rica em proteínas e tem uma quantidade muito grande de água. Assim, servia para alimentar e hidratar o garimpeiro que se embrenhava nas montanhas. O gosto e a textura assemelham-se a uma melancia salgada, bem interessante.

Imagem de uma deliciosa salada com ingrediente especial: a batata da serra
Salada de batata da serra  
Godó de banana

É um ensopado feito com banana nanica (ou banana d’água) verde e carne de sol. A banana é descascada dentro da água e cortada em pedaços pequenos. Depois, refoga-se a banana com cebola, coentro e urucum. Em seguida mistura-se a carne de sol (que já foi aferventada para perder um pouco do sal), mexendo sempre. Depois de cozida, a banana verde fica com um gosto parecido com o da batata inglesa. 
 
Cortado de palma

Cortado, na realidade, é um ensopadinho de legumes. Na região, além dos legumes, usa-se o mamão verde e, com bastante freqüência, a palma, um tipo de cacto da caatinga nordestina e que serve de sustento para muitas famílias do sertão, por ser rica em ferro. No caso da palma, usa-se a planta nova. Depois de limpa, é picada e aferventada com sal. Escorre-se e lava-se. Depois, a palma picadinha é refogada com temperos. O gosto assemelha-se a um ensopadinho de vagem.  
Pirão de parida

Como o nome induz, pirão de parida era feito para alimentar a mulher que tinha acabado de parir e estava amamentando. É feito com o caldo do ensopado da galinha caipira, preferencialmente, da galinha à cabidela (ou ao molho pardo) e farinha. 
Arroz de garimpeiro

É cozido com carne de sol picada e verduras.
 
Endereços e telefones
Neco’s Bar: Pça. Clarim Pacheco 15. Tel: (75) 3334-1179
Associação dos Condutores de Visitantes de Lençóis: (75) 3334-1425
Cachaça Abaíra: Rodovia BA-148, Km 120, Fazenda Salgado – Abaíra. Tel: (77) 3476-2348
Cachaça Serra das Almas: Fazenda Vacaro, Comunidade de Brumadinho – Rio de Contas. Tel: (77) 3475-2476.
Cachaça Portal da Chapada: Rua Caiçara 12, Livramento. Tel: (77) 3444-2230
Cachaça Cabeceira de Rio: Rodovia Duas Barras – Utinga, Km 10, Distrito de Cabeceira do Rio – Utinga. Tel: (75) 3252-1468.

 

O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.

Cadastre-se e receba nosso informativo

Compre já o livro Roteiros do Estado do Rio de Janeiro