Brasil, 30 de Dezembro de 2008
25/08/2008 - 13:53 - Atualizado em 12/09/2008 - 12:20

Queijo de Minas, patrimônio brasileiro

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Mais completa tradução das Minas Gerais, o queijo artesanal carrega, desde maio deste ano, o nobre titulo de patrimônio cultural imaterial brasileiro. O registro foi concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) depois de um pedido dos produtores mineiros, em 2001, quando foram obrigados a se enquadrar na legislação sanitária. A iminente exigência da pasteurização ameaçava a tradição de três séculos do queijo feito com leite cru, que hoje chega a ter produção anual de 26 mil toneladas.

Serro
Fábrica artesanal: produção de 26mil toneladas de queijo por ano

O Iphan inventariou as regiões da cidade histórica do Serro, a Serra da Canastra e a Serra do Salitre, onde predominam fazendas que mantêm a técnica artesanal de produção do queijo. A solicitação de registro imaterial foi entregue ao Iphan pela Secretaria de Cultura de Minas, em conjunto com a Associação de Amigos do Serro. Os produtores, que segundo estatísticas locais chegam a cerca de 150, defendem que a ausência dos chamados fermentos naturais alterava o sabor do produto. Na época, as associações de queijeiros e o governo mineiro chegaram a um acordo, adotando padrões sanitários tanto para a criação do rebanho quanto para a higiene de sua produção.

Já reconhecida como patrimônio imaterial desde 2002 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), a fabricação de queijo artesanal é um ofício diário nas regiões produtoras, com exceção da sexta-feira da Semana Santa, quando o leite é distribuído na vizinhança e destinado ao doce de leite e às quitandas.

Principal produtora do produto, a antiga Vila do Serro Frio, hoje somente Serro, se localiza na região do Alto Jequitinhonha (Médio Espinhaço), a cerca de 300 quilômetros de Belo Horizonte. Abundante em diamantes e em metais preciosos nos tempos da ‘corrida pelo ouro’, a cidade, atravessada pela celebrada Estrada Real, chegou a ser o principal núcleo minerador do centro-norte da Capitania de Minas Gerais, durante a ocupação pela Coroa Portuguesa no início do século XVIII.

Serro
Escadarias e edificações centenárias compõem a paisagem da região, rica em trilhas e cachoeiras

Turismo

Com edificações originais da época colonial, a história se faz presente em ruas, escadarias e ladeiras de Serro. Atrações turísticas é o que não falta por aquelas bandas. Por conta de sua geografia montanhosa os passeios ecológicos por distritos como o de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras, que abrigam belíssimas cachoeiras, são muito requisitados. E por falar em turismo, o próprio queijo vem se mostrando, sob este aspecto, uma interessante e rentável opção.

O turismo é outro motivo pelo qual os governos estadual e municipal, ao lado dos principais produtores, passaram a se preocupar em, cada vez mais, manter a tradição da produção artesanal investindo em capacitação de pessoal e melhorias na qualidade. As fazendas onde se confeccionam os queijos, há algum tempo, fazem parte de roteiros de muitos turistas. A procura é tão significativa que alguns fazendeiros já montaram restaurantes e até pequenas hospedarias em suas terras.

De acordo com o Iphan, a partir do registro de patrimônio cultural imaterial, o Instituto irá apoiar a comunidade na elaboração de uma política de incentivo da tradicional prática. A expectativa é que as ações em prol da cultura queijeira envolvam projetos de educação patrimonial e qualificação profissional dos autores envolvidos.