
Sabe aquele lugar que fica assim meio no fim do mundo e que no meio do caminho a gente pára para pensar se vale a pena prosseguir viagem para chegar até lá? Mas, é aquela história, um fala, outro indica, as referências são as melhores possíveis, e a gente vai tocando até chegar na Fazenda do Alemão. Então, não desista e prossiga o caminho tortuoso, trechos em terra, algumas subidas. Afinal, são só sete quilômetros a partir de Coqueiros, na RJ-127 (que liga Mendes a Vassouras), até o lugarejo chamado Jabuticabeira (é só seguir as placas), onde os simpáticos proprietários da Fazenda do Alemão, Manfred Bergmann e a esposa sul-africana Anne, lhe esperam com toda a atenção do mundo.

Manfred é engenheiro; quer dizer, era. Em 1965 foi trabalhar na África do Sul e lá conheceu Anne, negra, favelada, em pleno apartheid. “Imagina a dificuldade que era a gente namorar!”, lembra Anne. Dez anos depois Anne engravidou e o casal conseguiu ir para a Alemanha, onde hoje mora a filha do casal. Mas na Alemanha faz muito frio e Anne queria sair de lá. Foi então que em 1983 Manfred recebeu um convite para trabalhar na construção da Usina de Angra. A família aproveitou e veio junto.
Só que o trabalho acabou e o que fazer? Como em 1984 já tinham comprado um bom pedaço de terra em Mendes, por indicação de um amigo, partiram para várias tentativas, desde criar porcos até plantar feijão. Nada dava muito certo. “Minha família tinha uma fábrica de salsicha na Alemanha. Como no Rio não havia ninguém fazendo salsichas como na Alemanha, resolvi fazer um estágio com o meu pai e aprender tudo”.
Salsichas, o início
E eis que Manfred partiu, então, para fazer não só salsichas, mas vários tipos de embutidos e mais joelho de porco, costeleta de porco defumada e coisas do gênero. Produzem também diversos tipos de molhos, pães de centeio e gergelim, biscoitos, tortas, geléias e outras variedades típicas alemãs. Em 1987, já com a salsicharia funcionando, resolveram abrir a Fazenda do Alemão. É um restaurante acolhedor, charmoso, onde se come uma comida alemã da melhor qualidade. A melhor coisa é conversar com Anne, que comanda a cozinha, e pedir as sugestões.

Especialidades
Podemos começar com as especialidades da casa. A primeira é o hausmacher plate, um prato com carré defumado, salsicha branca (bovina), salsicha tipo frankfurter (bovina e suína), bolo de carne, salaminho, lingüiça, batata sauté, chucrute (feito com vinagre de vinho). Em seguida vem o eisbein frankfurter, o famoso joelho de porco grelhado, com purê de ervilha e batata assada. Esse é de comer de joelhos.


Anne chama a atenção para uma especial coxa de ganso. Cozinha-se o ganso por duas horas, em fogo baixo, com caldo de galinha e louro. Em seguida, acrescenta-se tempero e bota para assar. É servido com repolho roxo e chucrute de vinho. Ah, é bom pedir com antecedência.
Tem ainda uma feijoada alemã, feita com feijão branco, cenoura, batatas, costela de porco defumada e lingüiças. E há também dois ou três pratos oriundos da África do Sul, como o frango marinado com curry e arroz de açafrão. Como sobremesa, apfelstrudel (a famosa torna de maçã alemã) ou a torta alemã, especialidades da casa.
Resumindo, vale a pena o passeio e chegar até lá. Mas se, de tudo, não der, a Fazenda do Alemão faz entregas semanais no Rio. É só telefonar e encomendar.
Endereço
Fazenda do Alemão: Av. Saputizeiro, s/nº - Jabuticabeira (Cinco Lagos). Tel: (24) 2465-5050 / 1103 e (24) 9219-3366. www.fazendadoalemao.com.br. E-mail: fazendadoalemao@uol.com.br.