Brasil, 18 de Maio de 2012

Orange: herança romana em terras do Chateauneuf-du-Pape.

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Por Ana Romero Delrieu
Fotos: Philippe Gromelle (Rigoletto), Christophe Grilhé (Châteauneuf du Pape) e Ana Delrieu (Orange)

O Teatro Antigo de Orange (foto abaixo), edificado pelos romanos no início da era cristã, no sul da França, é o mais bem conservado de toda a Europa. O muro do palco (de 80 metros de altura), com a estátua do Imperador Augustus no centro, permanece em perfeito estado de conservação e é o único exemplar do gênero em todo o mundo. Patrimônio histórico mundial da Unesco, o impressionante anfiteatro, originalmente construído para acolher o público galo-romano e difundir a cultura e a língua romana, é utilizado até hoje. Nos meses de julho e agosto vive seu apogeu com o festival de arte lírica, Chorégies d’Orange, que promove óperas e concertos ao ar livre. A excelente acústica do anfiteatro tem reputação internacional.

Este ano, a apresentação da ópera Rigoletto (foto abaixo), de Verdi, com a Orquestra Nacional de France, regida pelo maestro milanês Roberto Rizzi-Brignoli, foi longamente ovacionada de pé pelos 8.300 espectadores que lotaram as arquibancadas de pedra, talhadas ali há mais de dois mil anos. O público pediu bis (e foi atendido) à sublime interpretação da soprano italiana Patrizia Ciofi (no papel de Gilda) e do barítono italiano Leo Nucci (no papel de Rigoletto). O tenor italiano Vittorio Grigolo (no papel do Duque de Mantoua), também arrancou uma chuva de ‘bravos’ da platéia.

Os habitués do festival, que atrai anualmente milhares de melômanos do mundo inteiro, já sabem e trazem de casa as indispensáveis almofadas a fim de melhorar o conforto nas arquibancadas de pedra maciça em forma de hemiciclo. Mas os que vêm pela primeira vez vão encontrar vendedores dos artefatos nos arredores do teatro (foto abaixo). O programa do Chorégies é vendido por figurantes vestidos com trajes típicos do folclore provençal. Este ano, além das óperas Rigoletto e Aída, o anfiteatro também foi palco para a peça Andromaque, de Racine, interpretada por atores da Comédie-Française, e concertos sinfônicos, entre os quais a IX Sinfonia de Beethoven, com a Orquestra Nacional do Capitole de Toulouse.

Jantar ou simplesmente tomar um aperitivo antes do espetáculo também faz parte do ritual anual dos frequentadores do Chorégies d’Orange. Bares e restaurantes ficam lotados (foto abaixo) e o serviço, com menus especiais para o festival, é excepcionalmente rápido para que ninguém perca a hora do espetáculo. A cozinha provençal é onipresente e o vinho de Châteauneuf du Pape é a vedete nas mesas (os vinhedos de Orange também fazem parte da prestigiosa AOC – denominação de origem controlada, do cru de Côtes du Rhône). Mas, no calor do verão, o pastis e o vinho rosé da Provence também são bastante apreciados.

Além do teatro antigo, sobre o qual Luís XIV dizia ser «a mais bela muralha do seu reino», o patrimônio de Orange inclui também um Arco do Triunfo, outro testemunho excepcional da Antiguidade. Há uma boa oferta de hotéis e chambres d’hôtes e a cidade é muito bem localizada para quem quer visitar a Provence. De Paris, pode-se chegar ali de TGV (trem de alta velocidade), em menos de três horas.

Vale a pena aproveitar a passagem pela região para visitar o vinhedo de Châteauneuf du Pape (foto abaixo), que, além da cidade homônima, se estende pelas vizinhas Orange, Bédarrides, Sorgues e Courthézon, no Departamento do Vaucluse, na Provence. O solo pedregoso, coberto de seixos do rio Rhône (trazidos pelas cheias milenares) é característico do terroir e proporciona o amadurecimento ideal das uvas, já que o calor armazenado durante o dia é restituído à noite aos pés das cepas. Em Orange, outra boa dica de visita é a sortida e colorida feira livre, todas às quintas-feiras pela manhã, onde se pode encontrar todos os produtos provençais, como os tecidos, as ervas aromáticas, as frutas e lavandas, entre outros.

Um pouco de história
Até final de fevereiro de 2012, para comemorar quatro décadas do célebre festival de arte lírica e a volta este ano da Comédie-Française (com Andromaque, de Racine), o museu de Arte e História de Orange apresenta a exposição «Um século de espetáculos para celebrar os 40 anos do Chorégies». Cerca de 60 fotografias e imagens de arquivo da Biblioteca Nacional da França retratam a atmosfera lírica do teatro antigo, de 1869 até hoje. A retrospectiva se consagra às peças de teatro, óperas, concertos de jazz e sinfônicos.

Serviço
Site do escritório de turismo de Orange : www.otorange.fr
Site do Chorégies d’Orange : www.choregies.com
 

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