Quem for a Tiradentes não pode deixar de ir ao "restaurante da Beth", como também é conhecido o Viradas do Largo. Beth Beltrão é uma autêntica mineira falando, com aquele delicioso sotaque, uai, e fala com emoção quando o assunto é comida. “Minha comida é sincera, honesta, mineira mesmo”, diz orgulhosa. Ali se come o frango ensopado com ora-pro-nobis, verdura nativa da região, que Beth planta no quintal do restaurante. A sua lingüiça é especial, feita por ela mesmo, e a carne serenada (espécie de carne-de-sol) vem de Montes Claros. Os pratos são muitos, à base de frango caipira ou não, carne de porco, mas Beth indica dois muito especiais: o mexidão, que leva arroz, feijão couve, filé bovino, milho, bacon e passas, e é claro, o feijão de tropeiro. E é bom saber que, embora todo mundo diga feijão tropeiro, o certo é feijão de tropeiro. E já que este feijão é tão especial, segue a receita.

Numa frigideira com gordura de porco (pode-se usar óleo vegetal, é claro), refoga-se o alho e a cebola picados. Beth prefere a cebola roxa, (“tem menos água”). A cebola não pode fritar muito. Em seguida acrescenta-se cheiro verde picadinho. Depois, feijão cozido (no caso, feijão carioca, embora eu prefira fazer com feijão vermelho) escorrido, bacon frito (às vezes, em vez de bacon, eu uso lingüiça) e ovo mexido. Por fim a farinha, que pode ser a de mandioca (crua) ou a de milho (torrada). E vai, sempre, misturando tudo. Simples, não?