Brasil, 31 de Julho de 2010

Um passeio pela Emilia Romagna

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Imagem de um castelo
Castell’Arquato, nas colinas parmenses

Considerada uma das regiões mais importantes da enogastronomia italiana, a Emilia Romagna (pronuncia-se romanha) é, para muitos, a mais célebre e rica cozinha daquele país. Quando eu visitei a região, alguns anos atrás, para um tour gastronômico, conheci Fabrizio Raimondi, na época responsável pelo departamento de Imprensa do consórcio dos produtores do presunto mais famoso do mundo, o Prosciutto di Parma. Ele é um dos que não hesitam em afirmar que a cozinha emiliana é a melhor da Itália.

E a da Toscana, pergunto eu?

“Bem, a da Toscana é muito boa, excelente, mas está em segundo lugar”.

Realmente, a Emilia Romagna é uma região excepcionalmente rica, em se tratando de gastronomia e culinária, pois, além de produzir alguns dos mais famosos produtos gastronômicos do mundo – o presunto de Parma, o queijo parmigiano reggiano, o vinagre balsâmico de Modena - tem algumas peculiaridades interessantes: é zona de colheita das trufas negras e brancas, é zona de produção do cogumelo porcino e é a região do Albana da Romagna, o primeiro vinho branco italiano a receber o reconhecimento DOC (Denominação de Origem Controlada) e um dos poucos DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), vinhos cuja produção e controle de qualidade são bem mais rígidas. Diga-se de passagem que a Romagna foi a primeira região da Itália a ter um vinho DOCG. São pouco mais de 40 DOCG em toda a Itália. O Albana é produzido numa pequena região que abrange as cidades de Ravena, Bolonha e Forli.

Roteiros 

Imagem de uma bunita paisagem de uma estrada no meio de vinhedos
Vinhedo na Estrada dos Sabores

Roteiros gastronômicos na Emilia Romagna podem ser vários, já que a região, partindo do norte, começa em Piacenza, passa pelas colinas de Parma e, seguindo a famosa Via Emília, vai até Rimini, no mar Adriático, passando por Reggio Emilia, Modena, Bolonha, Imola e Forli.

Há, portanto, que se escolher um, algo que, no meu caso, fosse possível fazer em quatro, cinco dias. Assim, o roteiro que escolhi começa em Parma e termina em Modena. Em linha reta, pela auto-estrada, essa viagem se faz em cerca de duas horas. Na realidade, a viagem começou em Milão, onde o carro foi alugado. De lá fui pela auto-estrada A1, a mesma que vai segue para Roma, na direção de Piacenza. Ali, peguei a Via Emília, para, em seguida, sair pelas pequenas estradas que atravessam as colinas piacentinas. Destino: Castell’Arquato, onde há um belíssimo castelo do século XVI. No caminho, quem sabe, encontrar uma indicação de uma pequena fazenda produtora do Gutturnio, um vinho tinto DOC produzido a partir das uvas bonarda e barbera e que caracteriza a região. E não deu outra. Na minúscula estrada que dá acesso ao castelo, a indicação da Azienda Piccioni e Pastori. Vale, então, uma visita para provar os vinhos direto dos tonéis e, é claro, comprar umas garrafas. E para quem quer saber e provar um pouco mais é só visitar a enoteca municipal, que fica no palácio do Podestá, onde se pode, também, comprar os saborosos vinhos típicos da região, principalmente os brancos Monterosso Val d’Arda Ortrugo.
 
E a viagem continua. Afinal, não podemos nos esquecer que na Emilia Romagna se produz iguarias únicas. É a única região do mundo que produz o presunto de Parma, o parmigiano reggiano, o culatello de Zibello. E é a única região do mundo que produz o inigualável vinagre balsâmico tradicional de Modena. Ou seja, vale a pena perder, que dizer, ganhar, quatro ou cinco dias. E aqui vai outra dica: com a devida antecedência você pode marcar, por intermédio dos consórcios produtores, visitas guiadas a produtores dessas iguarias. E vale a pena, principalmente para descobrir a fundamental diferença entre o vinagre balsâmico tradicional, que praticamente não chega no Brasil, e o industrial, vendido nas delicatesses e supermercados. Pressa, então, pra que te quero?

Conheça mais sobre a Emilia Romagna nos links abaixo.

Estradas dos Sabores
Presunto de Parma, saudável e natural
Parmigiano reggiano: não se fabrica, se faz
O sabor delicado do culatello

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