Se alguém tentar classificar a comida de Dona Laura Góes, do Restaurante e Pousada da Alcobaça, em Corres (Petrópolis) procure outro termo. Simplicidade requintada, talvez. Dona Laura, 80 anos recém completados, além de tocar com esmero e competência o seu negócio,é autora do livro “A cozinha da Alcobaça”, onde ela fala sobre a sua vida, sua pousada, seu restaurante e sua comida. Aliás, livro altamente recomendável. Ali ela diz que gosta de distinguir bem claramente os pratos simples e requintados que serve da chamada comida caseira, “como certas pessoas, até muito gentis, interpretam cardápios como o meu. Comida caseira pode ser um nicho adorável da gastronomia, desde que a casa seja exigente, como faço questão de ser”.

Conversar com Dona Laura sobre comida é um prazer, que ele desenvolve com os hóspedes da sua Pousada da Alcobaça e os clientes do restaurante. Provar seus pratos, melhor ainda. Se ela lhe oferecer uma saladinha aceite sem hesitar. Legumes e verduras estão sempre frescos, colhidos na grande horta do lugar. “Experimente a beterraba com esse molho aqui”, sugere ela. “A beterraba é colhida novinha, assim como o agrião, a rúcula e a alface, e por isso é mais saborosa.
Depois ela sai falando dos pratos e dos produtos usados em seu restaurante, do qual ela cuida com todo o carinho há 18 anos. E fala das trutas, do feijão sempre fresquinho, do arroz (sempre presentes nas refeições), do coelho (foto abaixo), do pato, do cozido que normalmente faz aos domingos, dos ovos e do frango caipira, da carne de porco comprada num criador local (e que ela fez questão de ir ver pessoalmente a criação), da feijoada dos sábados e da sua famosa carne assada, que fica cerca de cinco horas cozinhando no fogo à lenha.

“Nossa carne assada, que não está no cardápio, não pode faltar. É feita com todo o carinho, recheada com bacon. No molho escuro, mais escuro que ferrugem, quase preto, cozinham-se cebolinhas e batatas, que ficam encharcadas. As batatas ficam sujinhas de molho e são chamadas assim: “batatas sujinhas”, ou simplesmente “sujinhas”.

Sem esquecer as igualmente deliciosas sobremesas, como o pudim de leite, no qual ela não usa leite condensado industrial: ela simplesmente deixa o leite evaporar, fervendo-o lentamente, até ficar... condensado. Ou o suspiro com framboesas frescas, cultivadas lá, geleia de framboesa e creme de baunilha (foto).
R. Agostinho Goulão 298 (Estr. do Bonfim) – Corrêas. Tel: (24) 2221-1240. www.pousadadaalcobaca.com.br. 13h30/22h