Brasil, 18 de Maio de 2012

Comidas e Histórias

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Manjericão, uma pizzaria e tanto em Teresópolis

Ela existe há 20 anos e desde então só faz melhorar. Em matéria de pizza, a Manjericão, em Teresópolis, é referência, não só na cidade, mas, com certeza, em todo o estado. Ali se produz, e se come, é claro, uma das melhores pizzas de todo o Rio de Janeiro, sem exageros. O segredo, segundo o proprietário André Mazzi, é bem simples: cuidar da qualidade, sempre. “Todos os ingredientes são escolhidos com um cuidado especial, da mussarela ao tomate, dos temperos ao palmito”. André informa que todas as verduras e temperos são comprados dos produtores locais e que o manjericão vem da sua própria horta. Uma curiosidade: nenhuma pizza leva carne de espécie alguma, ou seja, nada de calabresa, nada de aliche.

Mas não é por isso que vamos de deixar de provar as pizzas de massa crocante da Manjericão, como a que leva o nome da casa, com molho pesto, manjericão, nozes, azeite, parmesão e um toque de creme de leite. “É a mais pedida”, diz André. Seguem-se a beccata (gorgonzola, rodelas de tomate e palmito) e a margherita quinta (rodelas de tomate, cebola, azeitonas pretas, parmesão e folhas de manjericão). Ah, o molho de tomate também é feito na casa.

As pizzas são o forte do lugar, mas há deliciosas sopas de entrada, como as de batata, abobrinha, abóbora e de queijo. O couvert também vale a pena, com pães feitos por ali mesmo, mussarela de búfala, azeitonas pretas, conserva de berinjela, pasta de cenoura e manteiga.

As sobremesas também não ficam atrás, como o doce de banana e catupiry aquecidos no formo a lenha e a goiabada com catupiry derretidos no forno a lenha. No mais, o clima do Manjericão é aconchegante o atendimento, de primeira. Vale a visita.

Endereço: Rua Flávio Bertoluzzi de Souza 314 – Alto, Teresópolis. Tel: (21) 2642-4242. 5ª 18h23h, 6ª 18h/24h, sab 12h/24h, dom 12h/23h
 

A simplicidade requintada da Alcobaça

Se alguém tentar classificar a comida de Dona Laura Góes, do Restaurante e Pousada da Alcobaça, em Corres (Petrópolis) procure outro termo. Simplicidade requintada, talvez. Dona Laura, 80 anos recém completados, além de tocar com esmero e competência o seu negócio,é autora do livro “A cozinha da Alcobaça”, onde ela fala sobre a sua vida, sua pousada, seu restaurante e sua comida. Aliás, livro altamente recomendável. Ali ela diz que gosta de distinguir bem claramente os pratos simples e requintados que serve da chamada comida caseira, “como certas pessoas, até muito gentis, interpretam cardápios como o meu. Comida caseira pode ser um nicho adorável da gastronomia, desde que a casa seja exigente, como faço questão de ser”.

Conversar com Dona Laura sobre comida é um prazer, que ele desenvolve com os hóspedes da sua Pousada da Alcobaça e os clientes do restaurante. Provar seus pratos, melhor ainda. Se ela lhe oferecer uma saladinha aceite sem hesitar. Legumes e verduras estão sempre frescos, colhidos na grande horta do lugar. “Experimente a beterraba com esse molho aqui”, sugere ela. “A beterraba é colhida novinha, assim como o agrião, a rúcula e a alface, e por isso é mais saborosa.

Depois ela sai falando dos pratos e dos produtos usados em seu restaurante, do qual ela cuida com todo o carinho há 18 anos. E fala das trutas, do feijão sempre fresquinho, do arroz (sempre presentes nas refeições), do coelho (foto abaixo), do pato, do cozido que normalmente faz aos domingos, dos ovos e do frango caipira, da carne de porco comprada num criador local (e que ela fez questão de ir ver pessoalmente a criação), da feijoada dos sábados e da sua famosa carne assada, que fica cerca de cinco horas cozinhando no fogo à lenha.

“Nossa carne assada, que não está no cardápio, não pode faltar. É feita com todo o carinho, recheada com bacon. No molho escuro, mais escuro que ferrugem, quase preto, cozinham-se cebolinhas e batatas, que ficam encharcadas. As batatas ficam sujinhas de molho e são chamadas assim: “batatas sujinhas”, ou simplesmente “sujinhas”.

Sem esquecer as igualmente deliciosas sobremesas, como o pudim de leite, no qual ela não usa leite condensado industrial: ela simplesmente deixa o leite evaporar, fervendo-o lentamente, até ficar... condensado. Ou o suspiro com framboesas frescas, cultivadas lá, geleia de framboesa e creme de baunilha (foto).

R. Agostinho Goulão 298 (Estr. do Bonfim) – Corrêas. Tel: (24) 2221-1240. www.pousadadaalcobaca.com.br. 13h30/22h
 

As delícias de Dona Elza, do Copo de Leite, em Mendes

Quem sobe ou desce a RJ-127, que liga a Via Dutra a Mendes e Vassouras, invariavelmente para no Km 25, entre Eng. Paulo de Frontin e Mendes, a fim de saborear uma das delicias que dona Elza Tupinambá e sua equipe preparam há 23 anos no Copo de Leite. “Tudo que o senhor está vendo é feito aqui”, diz orgulhosa dona Elza, do alto dos seus 80 anos de idade.

O lugar fica na beira da estrada, entre árvores, ambiente agradável, e tem sempre gente, com carros parando a toda hora. Nos finais de semana, então, é um movimento só. O forte da casa são os sanduíches feitos com o pão de batata produzido ali, com destaque para os de lombinho e queijo, que pode levar também ovo de codorna. Há ainda os de pasta de frango, atum e peito de peru, além de geléias, doces, tortas, vitaminas, sucos, mel, biscoitos e os queijos. “Não deixe de provar o nosso requeijão, é delicioso”, induz ela. E, olha, é delicioso mesmo. Vale a parada.


Estrada RJ-127, km 25 – Mendes (em frente ao Hotel Trilussa). Tel: (24) 2465-6835. 2ª/5ª 10h30/18h, 6ª/dom 10h/18h40

Os doces de Teresópolis

Duas lojas, por tradicionais e pelo cuidado na preparação dos seus produtos, são referências em doces em Teresópolis, região serrana fluminense: Maria Torta e Doces Húngaros. A primeira, fundada em 1983, virou ponto de encontro da cidade, reunindo pessoas que vão à ampla loja da Praça Olímpica para conversar, fazer negócios ou apenas um lanchinho regado aos saborosos doces e salgadinhos variados, para orgulho da sua proprietária Cláudia Raposo (foto).

Embora haja lojas da Maria Torta também no Teresópolis Shopping e no Alto, a produção se concentra na loja principal, em um grande espaço, em que o público pode acompanhar de perto, através do vidro, todos os detalhes.

Entre os doces, Cláudia informa que os milfolhas (creme, chocolate e creme com morango) são os mais pedidos. Mas há também os tradicionais docinhos de festa (brigadeiro, cajuzinho, beijinho, casadinho), as bombas, o strudel de maçã. Não se pode esquecer, porém, das tortas, o carro-chefe da casa, com destaque para a de chocolate com marshmallow. Entre os salgados, destaque para as quiches, as empadas e os pastéis de forno.

Doces Húngaros

Quem começou a história dos doces húngaros foi o húngaro Mickey, na década de 70, com quem Dona Cacilda Ferreira (foto) trabalhou durante 30 anos. Mickey se foi, mas deixou seu legado nas mãos da doceira Cacilda, que em 1998 partiu para voo solo e abriu a Doces Húngaros, que substituía a Confeitaria Mickey e logo se transformava em sucesso, graças, principalmente, ao seu strudel de maçã, o doce mais pedido. Mas há outros sabores, igualmente bastante solicitados, como o de banana, damasco e ameixa. As minitortas (nozes com baba da moça, chocolate, morango com castanha, brigadeiro com morango) também são muito pedidas. Para quem prefere um salgado, prefira os de massa folhada ou os pastéis de forno.

A carrocinha do Leandro
Não há na cidade quem não conheça a carrocinha do Leandro, ou Delícia Serrana, que faz ponto diariamente na Calçada da Fama, no Centro. Na realidade, são duas carrocinhas, uma de pipoca e a outra, de frutas com cobertura de chocolate, tudo feito na hora. No inverno, o sucesso é o morango, que fica uma delícia quando leva a cobertura quente de chocolate.

Valéria Fernandes, na Terê-Fri

Ela se proclama uma pessoa da roça: “sou caipira mesmo”, enche o peito a doceira e quituteira de mão cheia Valéria Fernandes (foto), que desde 1987 encanta os que procuram o Cantinho Valeira Fernandes para provar e comprar os doces e geléias artesanais, comer os seus famosos e deliciosos pastéis (são mais de 60 tipos) ou almoçar no pequeno restaurante abrigado no lugar.
Ela é tão caipira que não abre mão de vender no seu “cantinho” ovos caipira da região (“esses são fresquinhos mesmo”, diz orgulhosa) e servir entre os pratos uma saborosa galinha caipira ao molho pardo, iguaria em extinção nos restaurantes do Brasil.

Seu cantinho fica afastado da cidade, no Km 12 da badalada Terê-Fri (RJ-130), mas vale a pena a viagem para provar e, certamente, comprar, um dos mais de 300 tipos de doces e conservas, tudo produzidos artesanalmente pela Valéria. Destaque para o de abóbora com coco e o doce de leite com maracujá.

 

  • Cantinho Valéria Fernandes. Acesso pelo Km 12 da Terê-Fri – Vargem Grande (mesma entrada do hotel Village Le Canton). Tel: (21) 3643-6285 e 8789-8231. Diariamente 10h/23h
  • Doces Húngaros. Praça Baltazar da Silveira 132 – Centro. Tel: (21) 2742-4816. Diariamente 10h/19h. www.doceshungarosteresopolis.com.br.
  • Maria Torta. Rua Manoel Madruga 8 (Praça Olímpica) - Centro. Tel: (21) 2741-1342. 2ª/5ª 9h/20h, 6ª/sab 10h/21h. www.mariatorta.com.br.

 

 

 

Truta Rosa, a rainha de Mauá

Pela cor, parece salmão. Mas ao prová-la, a Truta Rosa de Mauá difere-se na textura e no sabor, tão bom ou melhor do que o salmão. Dez entre dez dos melhores restaurantes de Mauá usam a “truta do Raimundo” em seus cardápios. Em Mauá, a truta salmonada criada nas águas límpidas e frias que cortam o Vale Santa Clara reina absoluta.

A história da truta rosa começou em 1996, quando Raimundo Alves (foto abaixo), antigo morador de Mauá (“moro aqui há tempo que já perdi a conta”, diz sorrindo) resolveu criar trutas e fundou a Psicultura Santa Clara. Ali, em plena Sera da Mantiqueira, na Santa Clara, do lado de Minas, encontrou a condição ideal para a criação das suas trutas e desenvolveu a truta salmonada, por intermédio do enriquecimento da ração com carotenóides, que o salmão vai buscar nas frias correntes marítimas. Para que o peixe fique rosa, seis semanas antes do abate, acrescenta-se, na ração, carophill phink, mais conhecido como betacaroteno. E, por conta disso, a sua truta salmonada faz o maior sucesso. É a mesma truta arco-íris, originária da Califórnia, criada no Brasil.

Principal fornecedor de trutas da região, Raimundo só vende o seu produto para os restaurantes locais, para alguns de Penedo e aos visitantes do seu trutário, que conta também com um agradável restaurante, com vista para o verde e os tanques de criação. Tudo muito bem cuidado.

No restaurante, a pedida para a entrada pode ser o saboroso sashimi de truta (foto de abertura). Ou ainda as ovas (rosinhas), no cardápio apenas entre os meses de maio a julho, período de desova das trutas que atingem os dois anos de idade. Há, ainda, a truta anchovada, que lembra o aliche, a truta escabeche, o patê de truta e o carpaccio.

Dentre os pratos principais, a tradicional truta grelhada ou o prato mais pedido, o yaki sakana, uma truta inteira assada na brasa, com cogumelos e molho teryaki (creme de shoyu). Se o visitante quiser comer a sua truta, pescada na hora, não tem problema: é só pedir a vara de pescar e buscar o peixe num dos tanques. Os funcionários se encarregam de abatê-la e o restaurante, de prepará-la.

O visitante pode levar para casa produtos como filé de truta, congelado ou não, embalado a vácuo; filé de truta defumada, patê, a anchovada e a escabeche.

Endereço
Vale da Santa Clara. Tel: (24) 3387-1149. www.portalviscondedemaua.com/trutarosa/index.asp.
Visitação e compra de produtos, todos os dias, das 8h às 17h. Restaurante: sábados, domingos e feriados das 12h às 18h, Para chegar, pegar a estrada que liga a Vila de Mauá à Maromba e, depois de Maringá, entrar à direita, na ponte da Santa Clara. Aí, basta seguir as placas
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Doces, geleias e conservas: as delícias do Sítio Humaytá

Os doces certamente são o forte do Sítio Humaitá, que produz as Delícias de Artesanais de Secretário, lugarzinho charmoso a 20 km de Itaipava, pela BR-040, caminho de Juiz de Fora. Dentre os 52 tipos produzidos, um dos preferidos é o de abóbora, garantem o arqueólogo Zé Adolfo e o engenheiro e economista Gilson Gomes, os sócios-proprietários, ambos gaúchos. O sabor é suave, graças à adição de 40% menos açúcar do que os produtos normais; a textura, crocante por fora e suculenta por dentro. “Os clientes ficam impressionados com a textura, a cor e o sabor”, diz Zé Adolfo. Outro delicioso é o de banana em calda, aquela banana cortada em pedacinhos, com coloração meio roxa, igual à dos tempos da nossa avó.

Também muito procurados pelos clientes estão o de laranja-da-terra, o de goiaba cremoso e o doce de leite. As geléias agridoces - pimenta, pimentão, canela e alecrim – também têm bastante procura, usadas para acompanhar carnes brancas, pescados e em sanduíches. Além dos doces em compotas, o Sítio Humaytá produz doces em barras – goiaba cascão cremosa, bananada, figada e marmelada -, picles, molhos em conserva, geléias, chutneis, antepastos. Uma festa de delícias e sem conservantes.

Os produtos podem ser encontrados em muitas lojas e delicatesses de Petrópolis e do Rio de Janeiro, como o Talho Capixaba e o Garcia & Rodrigues, ambos no Leblon. As geléias de pimenta e pimentão, por exemplo, são indicadas pelo chef Christophe Lidy, do Garcia & Rodrigues. E também são servidas no Copacabana Palace.

Boa parte da matéria-prima é colhida ali mesmo: com 120 mil m2 de área total, o Humaytá tem 23 tipos de árvores frutíferas. Só de goiaba, são 80 pés, mas há também figo, mamão, laranja-da-terra, laranja kinkan e banana.

As visitas são sempre bem-vindas, basta agendá-las. Nos finais de semana e feriados, os sócios recebem os interessados e explicam detalhadamente o processo de produção. Com sorte, os visitantes podem se deparar com bacias de amoras, morangos e pepinos sobre as mesas da cozinha, prontas para ir ao fogo. O tour que culmina numa mesa cheia de guloseimas, na sala principal da casa. Torradinhas, biscoitos, bolos, pães fresquíssimos, tudo para combinar com os produtos que estão expostos para degustação. O café quentinho fecha o programa. Bebido na varanda, decorada pelos sócios, dá para aproveitar a paisagem e ainda curtir o canto dos pássaros de plantão.

Delícias de Secretário

Ponte do Veloso, Secretário, km 7 – Petrópolis. Tel: (24) 2228 2060 / 2228 2046. www.sitiohumayta.com.br

  • Seguir pela BR-040 e entrar em Pedro do Rio. Na bifurcação, que há logo em seguida, optar por Secretário. São oito quilômetros de estrada em bom estado. No Centro da cidade, entrar na rua da igreja e seguir mais seis quilômetros. Desta vez, o caminho é em estrada de terra batida.

 

Peru tem o maior número de restaurantes asiáticos da América Latina

Imagem da chamada grande: 
Restaurantes, asiático, America Latina, Peru
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Chico Junior
 

Estima-se que em todo Peru haja mais de 3 mil restaurantes chineses. Juntando-se os japoneses e os tailandeses, o país abriga o maior número de restaurantes asiáticos da América Latina. A migração de japoneses e chineses durante a segunda metade do século XX influenciou sobremaneira a gastronomia do país, principalmente da capital Lima.

Sem dúvida, a culinária asiática contribuiu para enriquecer ainda mais a rica culinária peruana. A partir da migração foram surgindo em Lima as chifas, como são conhecidos os restaurantes chineses. Com a migração, cerca de duas mil famílias cantonesas se instalaram nos arredores do Mercado Central de Lima, criando o Bairro Chinês (Barrio Chino), e também nas cercanias do mercado de Callao. E foi por intermédio da comida que os chineses estabeleceram um vínculo mais direto com os peruanos.

Wa Lok

Uma das mais famosas chifas de Lima é o restaurante Wa Lok, eleito pelo Guia Summum 2009 como o melhor chinês da cidade. Como várias outras chifas, o Wa Lok foi fundado no Bairro Chinês, há 14 anos, pelo jovem cantonês “Alan” Chang Ken Li. São mais de 100 gostosas opções para os que apreciam a comida chinesa, incluindo o famoso pato laqueado e algumas fusões sino-peruanas, como o arroz chaufa (arroz com pedaços de porco, frango, camarões e ovos). O arroz chaufa especial custa 14 soles (cerca de 10 reais) e dá para três pessoas, desde que acompanhado por um outro prato. Experimentei a taipa a la plancha, pedaços de frango, pato e porco fritos, mais camarões, refogados com legumes e que chega fumegando na mesa (foto). Também para três pessoas (53 soles = 40 reais).

Hoje, como não poderia deixar de ser, há um Wa Lok também em Miraflores, o bairro chique de Lima, para onde convergem os bons e famosos restaurante da capital.
 

Ostras de Cancale , uma escala gourmande na Bretanha

Texto: Ana Delrieu
Fotos: Martine De Schrijver e Les Parcs Saint Kerber

Final de ano na França é mais que nunca época de se comer ostras. Elas fazem parte das ceias de Natal e do Réveillon e dão um toque sofisticado às mesas, ao lado do foie gras e do champagne, entre outras iguarias festivas. Mesmo os que não costumam comê-las habitualmente, se aventuram durante as festas de fim de ano.

A partir de outubro, os ostreicultores precisam trabalhar duro para abastecer o mercado. Em dezembro (mês que representa 30% do volume de negócios da profissão), os caixotinhos de madeira, as bourriches (foto acima ©Les parcs Saint Kerber), aparecem em enormes quantidades nas peixarias e supermercados de todo o país (sempre com selos de controle sanitário, data de armazenamento e origem do produto), e desaparecem com a mesma rapidez. Os franceses adoram!

Mas existe um lugar onde elas são consumidas praticamente o ano todo e de maneira menos formal, «à la bonne franquette», como se diz aqui, ou seja, com total descontração. Trata-se do vilarejo bretão de Cancale, a oeste da baía do Monte Saint Michel (cuja abadia figura entre os dez monumentos mais visitados da França) e vizinha da cidade fortificada de Saint Malo. Compradas às dúzias, ou meia-dúzia, diretamente dos ostreicultores, elas são imediatamente abertas e degustadas ali mesmo nas calçadas à beira mar ou no pier, ao pé do farol, em piqueniques improvisados (fotos acima e abaixo © Martine De Schrijver).

E não é necessário trazer nenhum apetrecho. Os vendedores fornecem tudo : os pratinhos de plástico, o pão de centeio, a manteiga salgada, o limão e o vinho branco seco, quase sempre um Muscadet-sur Lie (o melhore aliado de uma perfeita degustação). Em seguida, é só encontrar um banco público, um cantinho no parapeito da mureta, um degrau, ou qualquer outro lugar livre para saborear a iguaria. Um programa pitoresco que faz parte da paisagem e da tradição da cidade. Mas quem preferir um local mais confortável, poderá escolher entre as dezenas de bares e restaurantes que servem os famosos ‘plateaux de fruits de mer’ (aquelas baixelas de alumínio colocadas sobre um tripé, onde ostras, mariscos e crustáceos são apresentados sobre uma camada de gelo picado). Na Bretanha, os produtos do mar, sempre frescos, são uma excelente pedida.

Uma particularidade local são as « huitres plates de Cancale » (foto abaixo © les parcs Saint Kerber), também conhecidas como « Belon de Cancale ». As conchas, planas e de forma arredondada, são semeadas no solo, em águas profundas, onde crescem livremente, sempre recobertas pela água do mar. Após três anos, elas são colhidas e deixadas em águas menos salgadas. Ela é carnuda, iodada, fina e com um leve retrogosto de amêndoas ou avelãs. Mesmo se sua produção é menor em relação às ostras ‘creuses’, as mais comuns (de forma alongada e côncava), elas são bastante apreciadas por degustadores exigentes.

As ostras creuses de Cancale são cultivadas em criadouros, os parc à huitres, em sacos em forma de travesseiros, feitos de trama metálica e dispostos sobre cavaletes de ferro, a cerca de 50 cm do solo. Os sacos são continuamente descobertos e cobertos de água a cada maré, o que favoriza a oxigenação e a alimentação das conchas com planctons. Durante a maré baixa, esses sacos são regularmente revirados e sacudidos pelos ostreicultores para facilitar ainda mais a oxigenaçao das conchas.

Num vai e vem contínuo de tratores e barcos anfíbios (com rodas!), eles realizam os trabalhos de olho nas cartas que indicam os coeficientes das marés. A amplitude das marés na baía do Monte Saint Michel é a maior da Europa: varia de zero, na maré baixa, a mais de 15 metros, na maré alta! O retorno das águas, num solo arenoso e com pouco declive, é rápido e vigoroso. Segundo os guias do Monte Saint Michel, « na velocidade de um cavalo galopando ».

 

Um pouco da história das ostras de Cancale.

Tudo parece ter começado nos primórdios da vida na terra ou, pelo menos, da época em que a legendária floresta de Scissy foi submersa pelo mar. Esse banal fenômeno natural criou a baía na qual as ostras se fixaram. Abundantes e consideradas como um recurso natural inesgotável, elas foram colhidas em quantidades fenomenais durante séculos: até 20 mil toneladas por ano! A predação humana, aliada a invisíveis agressões parasitárias, acabaram afetando drasticamente o estoque, que atinge um nível crítico no século XVIII.

Em 1759, uma determinação real proibiu a colheita e a venda de ostras de 1 de abril a 31 outubro em toda a França, dando origem à lenda (repetida até hoje), de que só os meses que tem a letra R são propícios ao consumo das ostras. Esta medida será determinante para a sobrevivência das ostras ‘plates’ de Cancale.

A partir do século XIX, os períodos de pesca passam a ser drasticamente regulamentados. Somente em datas e horas precisas, indicadas por um tiro de canhão, centenas de barcos tradicionais locais, os veleiros ‘bisquines’, partiam para dragar os bancos naturais de ostras no fundo da baía, no que ficou conhecido como a pesca em ‘Caravane’: animada festa do mar, da qual participava toda a população das redondezas, no mês de abril, e que perdurou até o final dos anos 1920. Algumas ostras chegavam a pesar mais de um quilo e eram batizadas de ‘pieds de cheval’ (patas de cavalo). Hoje em dia, raros exemplares pescados em alto mar ainda são vendidos em unidades.

Parte das ostras recolhidas durante essa regata serviram para alimentar os primeiros parques de criação. Em 1930 a ostreicultura engatinha para se implantar de vez a partir de 1950, quando as ostras ‘creuses’, originárias de Portugal, fazem sua aparição na região. Grande parte dos pescadores locais se reconverte à nova atividade e passam a ser conhecidos como ‘jardineiros do mar’.

Além da qualidade do ‘terroir’, banhado pelas marés altas e baixas do Canal da Mancha e do estrito controle sanitário dos criadouros , o savoir faire dos ostreicultores locais, precursores da atividade, também faz a diferença e contribui para a fama internacional das ostras de Cancale. O processo do cultivo, da fecundação à colheita, dura de dois a cinco anos.

Família Pichot-Louvet
Pioneira em Cancale, a família Pichot-Louvet pratica a ostreicultura há 80 anos. A determinação de François Louvet, o avô dos atuais proprietários do parque Saint Kerber, foi determinante para a preservação das ostras planas. Em 1989, a família abre as portas do parque à visitação pública e cria a ‘Ferme Marine’ (www.ferme-marine.com), o primeiro museu europeu consagrado às ostras e à ostreicultura. Atualmente, as ostras ali cultivadas, podem também ser degustadas no prestigioso ‘bar à Caviar’ da maison Fauchon, na praça da Madeleine, em Paris.

Alguns conselhos

  • As ostras devem ser sempre compradas vivas, ou seja, com a casca fechada ou que se fecha quando se bate nelas, e serem relativamente pesadas, pois devem estar cheias de água. Elas só devem ser abertas minutos antes de serem consumidas. A vitalidade de uma ostra aberta pode ser verificada ao espetá-la (com o garfo, por exemplo) ou ao se pingar algumas gotas de limão. Eles devem se encolher imediatamente.
  • Na maioria das vezes, as ostras cruas e vivas são consumidas com limão, manteiga salgada fresca e pão de centeio, ou com um molho vinagrete com echalotas. Elas também podem ser cozidas e servidas ‘pochées’ ou gratinadas, com diferentes molhos, em brochetes, sopas ou ‘consommés’.
  • Sirva as ostras com um vinho branco bem seco (Muscadet, Chablis, Mersault, Gros-Plan ou Bodeaux branco). Ou com champagne.
  • Conservação: de 8 a 10 dias após a compra nas caixinhas de madeira (bourriches), ou envoltas em um tecido úmido, com o lado côncavo virado para baixo, na parte de baixo do refrigerador entre 0 e 8°C.

 

 

 

 

 

O tartar de salmão da Casa da Suíça

A Casa da Suíça é um restaurante tradicional do Rio de Janeiro. Fica no bairro da Glória, no mesmo prédio do Consulado da Suíça e tem pratos muito saborosos. Sua principal atração é o dono da casa, o chef Volkmar (foto), austríaco de nascimento, carioca de coração e suíço de “profissão”. Uma das coisas de que Volkmar mais gosta é quando um cliente o chama para preparar na hora um dos pratos de sua especialidade, como o estrogonofe, o tartar de carne e o tartar de salmão.

Para quem quiser se aventurar, segue a receita do tartar do salmão, bem simples de ser feita. Na Casa da Suíça, é servido com vários tipos de pães torrados, batata frita ou salada verde. Para uma pessoa, recomenda-se 150g de salmão. Portanto, mãos à obra e bom apetite.

Filé de anchova (aliche), alcaparras picadas, pepinos em conserva picados, cebola picada, salsa picada, um ovo cozido (adicionar primeiro a clara, depois a gema,), molho inglês, molho de pimenta tabasco, katchup "Heinz", suco de limão, mostarda, azeite extra virgem, pimenta do reino moída, sal, 150g de salmão (picado a faca), conhaque Fundador.

Misturar bem os ingredientes (tudo em pequenas quantidades) na ordem como está descrita acima; no final formar uma meia bola e cobrir com conhaque.

 

Orange: herança romana em terras do Chateauneuf-du-Pape.

Por Ana Romero Delrieu
Fotos: Philippe Gromelle (Rigoletto), Christophe Grilhé (Châteauneuf du Pape) e Ana Delrieu (Orange)

O Teatro Antigo de Orange (foto abaixo), edificado pelos romanos no início da era cristã, no sul da França, é o mais bem conservado de toda a Europa. O muro do palco (de 80 metros de altura), com a estátua do Imperador Augustus no centro, permanece em perfeito estado de conservação e é o único exemplar do gênero em todo o mundo. Patrimônio histórico mundial da Unesco, o impressionante anfiteatro, originalmente construído para acolher o público galo-romano e difundir a cultura e a língua romana, é utilizado até hoje. Nos meses de julho e agosto vive seu apogeu com o festival de arte lírica, Chorégies d’Orange, que promove óperas e concertos ao ar livre. A excelente acústica do anfiteatro tem reputação internacional.

Este ano, a apresentação da ópera Rigoletto (foto abaixo), de Verdi, com a Orquestra Nacional de France, regida pelo maestro milanês Roberto Rizzi-Brignoli, foi longamente ovacionada de pé pelos 8.300 espectadores que lotaram as arquibancadas de pedra, talhadas ali há mais de dois mil anos. O público pediu bis (e foi atendido) à sublime interpretação da soprano italiana Patrizia Ciofi (no papel de Gilda) e do barítono italiano Leo Nucci (no papel de Rigoletto). O tenor italiano Vittorio Grigolo (no papel do Duque de Mantoua), também arrancou uma chuva de ‘bravos’ da platéia.

Os habitués do festival, que atrai anualmente milhares de melômanos do mundo inteiro, já sabem e trazem de casa as indispensáveis almofadas a fim de melhorar o conforto nas arquibancadas de pedra maciça em forma de hemiciclo. Mas os que vêm pela primeira vez vão encontrar vendedores dos artefatos nos arredores do teatro (foto abaixo). O programa do Chorégies é vendido por figurantes vestidos com trajes típicos do folclore provençal. Este ano, além das óperas Rigoletto e Aída, o anfiteatro também foi palco para a peça Andromaque, de Racine, interpretada por atores da Comédie-Française, e concertos sinfônicos, entre os quais a IX Sinfonia de Beethoven, com a Orquestra Nacional do Capitole de Toulouse.

Jantar ou simplesmente tomar um aperitivo antes do espetáculo também faz parte do ritual anual dos frequentadores do Chorégies d’Orange. Bares e restaurantes ficam lotados (foto abaixo) e o serviço, com menus especiais para o festival, é excepcionalmente rápido para que ninguém perca a hora do espetáculo. A cozinha provençal é onipresente e o vinho de Châteauneuf du Pape é a vedete nas mesas (os vinhedos de Orange também fazem parte da prestigiosa AOC – denominação de origem controlada, do cru de Côtes du Rhône). Mas, no calor do verão, o pastis e o vinho rosé da Provence também são bastante apreciados.

Além do teatro antigo, sobre o qual Luís XIV dizia ser «a mais bela muralha do seu reino», o patrimônio de Orange inclui também um Arco do Triunfo, outro testemunho excepcional da Antiguidade. Há uma boa oferta de hotéis e chambres d’hôtes e a cidade é muito bem localizada para quem quer visitar a Provence. De Paris, pode-se chegar ali de TGV (trem de alta velocidade), em menos de três horas.

Vale a pena aproveitar a passagem pela região para visitar o vinhedo de Châteauneuf du Pape (foto abaixo), que, além da cidade homônima, se estende pelas vizinhas Orange, Bédarrides, Sorgues e Courthézon, no Departamento do Vaucluse, na Provence. O solo pedregoso, coberto de seixos do rio Rhône (trazidos pelas cheias milenares) é característico do terroir e proporciona o amadurecimento ideal das uvas, já que o calor armazenado durante o dia é restituído à noite aos pés das cepas. Em Orange, outra boa dica de visita é a sortida e colorida feira livre, todas às quintas-feiras pela manhã, onde se pode encontrar todos os produtos provençais, como os tecidos, as ervas aromáticas, as frutas e lavandas, entre outros.

Um pouco de história
Até final de fevereiro de 2012, para comemorar quatro décadas do célebre festival de arte lírica e a volta este ano da Comédie-Française (com Andromaque, de Racine), o museu de Arte e História de Orange apresenta a exposição «Um século de espetáculos para celebrar os 40 anos do Chorégies». Cerca de 60 fotografias e imagens de arquivo da Biblioteca Nacional da França retratam a atmosfera lírica do teatro antigo, de 1869 até hoje. A retrospectiva se consagra às peças de teatro, óperas, concertos de jazz e sinfônicos.

Serviço
Site do escritório de turismo de Orange : www.otorange.fr
Site do Chorégies d’Orange : www.choregies.com
 

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