Não sou descendente de sírios ou libaneses, ou de qualquer lugar do mundo árabe, nem profissional de culinária. Mas cheguei ao extremismo cultural de começar a apren... Ver perfil completo

Escrito em: 02/12/2008

O rei do falafel

Viajo pra Istambul, no dia 7 de dezembro. De lá, pretendo voltar com muitos assuntos para o blog. Sei bem: Istambul é na Turquia, e os turcos não são árabes. Foram inimigos durante séculos. Mas toda a cultura da Turquia em seus diversos aspectos tem influência árabe e islâmica. Os sírios e libaneses no Brasil ficaram conhecidos, erroneamente, como turcos, e isso até hoje causa algum desconforto e pequenos ressentimentos entre os árabes brasileiros. Antes da viagem, pra pegar ritmo e sob livre e espontânea pressão do editor, escrevo rapidamente sobre uma visita a um pequeno restaurante fora de qualquer circuito gastronômico de São Paulo. É o Rei do Falafel, Rua Júlio Ribeiro 102, no Brás. Essa rua fica num fundão do ex-bairro italiano, com movimento muito menor do que nas proximidades da estação do metrô, onde “bombam” as vendas de roupas e dvd piratas (aproveitem que são vendidos a 2 reais!). Uma volta por ali traz a sensação de você estar em Beirute, pelo menos o que eu imagino que seja Beirute. Música, canais de TV e pessoas se comunicando em árabe são comuns nos arredores, produtos como fumo para narguilé e especiarias são vendidas num mercado importador de alimentos e bebidas, a Maxifour.  Esse mercado vale uma futura postagem só pra ele, aguardem.
 
O Rei do Falafel tem um clima de botequim familiar, pequeno, poucas mesas e com uma profusão de narguilés caoticamente decorando o fundo do estabelecimento. O sanduíche de falafel reina na casa. Elaborado com pão sírio bem fininho, enrolado e recheado, temperado com tomate e cebola e incrementado com humus, é uma delícia barata (R$ 6) e vale por uma refeição. Simplicidade e comida farta já justificam uma ida extemporânea até a Rua Julio Ribeiro. Eles acertam, como poucos, na consistência e sabor desse bolinho de grão de bico muito consumido em todo o Oriente Médio, e até fonte de controvérsia entre árabes e israelenses. Ambos reivindicam a criação da iguaria. Mas poucas dúvidas restam para saber quem é o Rei do Falafel: ele está lá no Brás.  

 

 

 

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