Dentre as várias coisas que me dão um imenso prazer de comer – arroz e feijão, ovo, batata, tomate, macarrão, salada e doces, por exemplo – estão os queijos. Pra quem não sabe, o queijo foi a primeira forma que o ser humano encontrou para a conservação do leite. Gosto tanto de queijo que, anos atrás, fui à Suíça para ver a produção de quatro dos principais queijos produzidos naquele país: o Gruyère, o Emmentaler (também conhecido como Emmental), o Appenzeller e o saborosíssimo e especial L’Etivaz (veja aqui). E também fui a Itália ver como se faz um dos meus preferidos, o parmigiano reggiano, o popular parmesão.
O Brasil também tem uma vasta produção de queijos de alta qualidade, como Gran Formagio (tipo grana padano), de Vacaria (RS); os queijos artesanais mineiros do Serro, Araxá, Serra do Salitre e Canastra, feitos com leite cru, não pasteurizado, como os principais suíços; os queijos de coalho do Vale do Seridó, os queijos de Cruzília (MG) e por aí vai.
Estado do Rio

Mas eu quero falar mesmo é de alguns dos excelentes queijos produzidos no Estado do Rio de Janeiro, a começar pelo famoso queijo minas frescal Solidão, de Miguel Pereira, que ganhou fama por ter sido o queijo “oficial” da Rio 92. De lá para cá, o proprietário do Sítio Solidão, Luiz Francisco Menezes, tem mantido a qualidade do seu queijo e, depois disso, já lançou um queijo curado de massa cremosa de vaca, queijo de cabra tipo caprino romano e o curado de massa cremosa de ovelha, tipo Serra da Estrela (Portugal).

Na charmosa Terê-Fri (RJ-130), estrada que liga Teresópolis a Friburgo, também há uma interessante produção queijeira. Ali fica o sítio Vale das Palmeiras, do ator Marcos Palmeira, que produz um minas frescal orgânico da melhor qualidade e com um sabor bem diferenciado, que lembra muito os artesanais mineiros. Para mim, sem desmerecer os demais, é o melhor dos queijos minas frescal encontrados nos supermercados do Rio. Ainda na Terê-Fri há a Queijaria Escola Suíça (foto acima), herança dos colonos suíços de Nova Friburgo, que fabrica 18 queijos com leite de vaca e cinco com o de cabra. Todos muito bons. A estrada ainda abriga a produção do Capril Colina e da Fazenda Genève, ambos produtores de excelentes queijos de cabra.
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Nas minhas andanças pelo estado, recentemente fui apresentado ao delicioso queijo minas meia cura produzido artesanalmente pela Copo de Leite, agradável e simpático lugar que fica no Km 25 da RJ-127 (Alto da Serra do Mar), entre Paulo de Frontin e Mendes. Ali funciona uma “fábrica” de queijos, doces, pães de batata (a especialidade da casa) e delicatesse, tudo sob a coordenação de Dona Elza Tupinambá, uma esperta senhora de 80 anos, que está ali há 23.
E por falar em meia cura, estando em Visconde de Mauá não deixe de ir ao armazém Casa da Amizade (do falecido Chico Quirino) e pedir o meia cura do Valdir, um queijo prato tipo cobocó que faz o maior sucesso. Isso sem falar nos queijos produzidos com leite de cabra nos capris Maluvi e DeVille (foto acima). Ainda pelas bandas de Mauá, há a produção semi-industrial do Laticínios Pedra Selada (foto abaixo), que, desde 1987, faz queijos com o leite das vacas da Serra da Mantiqueira, desde o minas frescal, até o prato, passando pela ricota e outros mais. O Pedra Selada processa diariamente 30 mil litros de leite da região.

E por falar em produção semi-industrial, vamos até Três Rios, onde funciona a fábrica da Normandia, que, além de queijos, produz iogurte, coalhada e manteiga. De Três Rios, a Paty do Alferes, onde está instalado o bem sucedido Laticínios Manoel Borges. Há mais de 20 anos Manoel produz, ao lado do filho Rogério, várias delícias. Quem gosta dos queijos clássicos, tem de ricota à mussarela, passando pelos minas padrão e frescal e o queijo prato.
Recentemente, o presidente do Macaé Convention e Visitors Bureau, Marco Navega, me falou de um excepcional requeijão produzido pela cooperativa de leite da cidade. Ainda não provei, mas confio no paladar dele.
Bem, vou ficando por aqui, prometendo voltar ao assunto uma outra vez. Não falei de todos os queijos do estado, mas um dia eu chego lá.
Bom apetite!